Mineiro tetraplégico precisa de ajuda da comunidade em Pompano Beach

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Carlos Alberto Moraes foi atropelado há 19 anos e morou em hospitais e clínicas de saúde todo este tempo

Joselina Reis

Carlos Alberto
Dona Maria e seu esposo Moisés Moraes, octogenários, cuidam do filho Carlos Alberto

Depois de 19 anos vivendo de hospital em hospital, o brasileiro Carlos Alberto Moraes, de 55 anos, foi levado para a casa dos pais e deixando na sala. O pequeno apartamento onde a família vive em Pompano Beach, no terceiro andar de um edifício simples, não tem condições de acomodar os três. “Eles bateram na minha porta e disseram que, se eu não abrisse, iriam deixá-lo no corredor”, conta o pai, o mineiro Moisés Moraes, de 84 anos.

Sem nenhum tipo de renda – Moisés era zelador mas desde setembro do ano passado não trabalha devido à idade avançada –, a família vive de doações de uma igreja e de anônimos que se comovem com a história dos três. Com ajuda do IAC (Centro de Assistência ao Imigrante), Moisés e dona Maria Geralda, de 79 anos, pediram apoio às autoridades. “Não temos documentos. Por isso, eles não querem mais nosso filho no hospital. Não temos saída a não ser cuidar dele ou cuidar dele”, conta a mãe.

Produtos necessários para o cuidado diário de Carlos AlbertoOs dois idosos não têm condições físicas de cuidar do filho. Carlos Alberto é totalmente dependente de ajuda de terceiros desde a higiene básica até para comer. “Não quero voltar para o hospital. É muito sofrimento”, conta ele, com dificuldades para ser entendido.
No dia 24 de outubro de 1995, Carlos Alberto atravessava uma rua em Miami e antes de chegar do outro lado sua vida mudou completamente. O ex-taxista foi atropelado e, a partir daí, só voltaria para casa no dia 18 de abril de 2014. Recém-casado com uma americana, Carlos Alberto foi abandonado pela esposa e, quando acordou do coma, sete meses depois, viu seu sonho de legalização desaparecer com a assinatura do divórcio.

Sua vida desde aquele 24 de outubro de 1995 tem sido resumida a uma cama de hospital, primeiro no Jackson Memorial Hospital, em Miami, depois em três diferentes clinicas de saúde. Em uma delas, em um acidente não explicado, Carlos teve uma das pernas quebrada.
No dia primeiro de abril de 2014, a última clínica que o hospedou por nove anos, comunicou que não tinha mais fundos para cuidar de pessoas sem plano de saúde e indocumentadas no país, apesar de afirmar que a família teria trinta dias para procurar outra instituição, enfermeiros (carregando a maca de Carlos) bateram à porta dos pais octogenários e deixaram o filho tetraplégico na sala.

“Nós estávamos tentando outras alternativas quando eles chegaram de repente”, conta a voluntária do IAC, Ana Lúcia McCullough. Ela conta que a família recebeu alguns medicamentos no dia 18 de abril, que já acabaram. Semana passada no dia 22 de abril, a polícia foi acionada para averiguar a situação da família. “Eles o levaram para ser medicado e voltaram cinco horas depois trazendo-o de volta”, conta a voluntária.

Moisés e Maria garantem que não podem voltar para o Brasil. “Não temos mais nada lá, nem família”, afirma Maria. Os dois lembram que quando o filho foi atropelado eles, que estavam apenas passando uma temporada na Flórida, tiveram que ficar e, com o tempo, acabaram vendendo tudo o que tinham no Brasil para custear as despesas dos dois.

Ajuda
Quem puder ajudar a família pode depositar qualquer doação na conta bancária de Moisés Moraes, Bank of America, número 3774028959.

Carlos Alberto precisa desde medicamentos até produtos de limpeza e higiene pessoal. Doações em espécies como sabão em pó, roupas de cama, travesseiro, aparelho de barbear, fraldas descartáveis tamanho grande, creme para assaduras, luvas entre outros podem ser agendadas através do telefone (954)969-1780 com Moisés. Senhor Moisés não pode dirigir, pois não tem carteira, não tem carro e é cego do olho esquerdo, por isso as doações precisam ser entregues em sua casa.