Missão: formar líderes comunitários no Haiti

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Silair de Almeida, pastor da PIB Flórida, se esforça para minimizar o sofrimento dos haitianos

Um ano e meio depois do terremoto que deixou milhões de desabrigados no Haiti, o país caribenho ainda vive sob os escombros com a população abandonada à própria sorte. Considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um dos países mais pobres do mundo, o Haiti continua uma pátria cujos moradores ambicionam mesmo é sair de lá e buscar uma vida melhor em outros locais, sobretudo aqui nos Estados Unidos.
Haiti-Silair

Entretanto, como não se pode transportar quase 10 milhões de pessoas para as outras partes do mundo, o jeito é ajudar os necessitados a superar esta difícil situação. Humanitários de todo o mundo voaram para o Haiti a fim de prestar sua solidariedade e serem voluntários no trabalho de recuperação do país.

Uma organização, porém, já estava prestando assistência social a este povo há pelo menos cinco anos: a Primeira Igreja Batista Brasileira da Flórida, ou simplesmente PIB Flórida, comandada pelo pastor Silair de Almeida. Evidentemente, este trabalho social intensificou-se após a tragédia que castigou o Haiti em janeiro do ano passado.

E trabalho é o que não falta, segundo o pastor: O país tem 85% de desempregados e os que trabalham ganham muito mal. A infraestrutura está destruída e as pessoas ainda vivem em tendas mesmo depois de ter passado tanto tempo do terremoto. Não há polícia nem forças armadas o policiamento é garantido pelos soldados do exército brasileiro que estão fazendo um bom trabalho lá.

Como consertar um país onde o índice de corrupção é elevadíssimo? Para se ter uma ideia, de cada 100 dólares doado para minorar o sofrimento dos flagelados, apenas 35 dólares chegam aos necessitados. Antes, trazíamos um contêiner com mantimentos da Flórida, mas para conseguirmos liberá-lo no porto precisávamos pagar mais de 10 mil dólares de propina, contou desanimado Silair.

Esforço para conscientização

A eleição de Michelle Martelly promete trazer novos ares para o Haiti. E os humanitários esperam que isto possa servir para o país recuperar sua auto-estima, retomar as atividades básicas, receber investimentos, gerar empregos e, sobretudo, aprender a andar com as próprias pernas.

Essa é exatamente a principal missão da PIB Flórida na visão de Silair de Almeida: Queremos formar líderes para que o povo encontre as respostas para as soluções de seu país. O programa congrega 250 igrejas que atuam também como postos de assistência social, distribuindo alimentos e medicamentos para a população carente. A fim de driblar a corrupção, o pastor revelou que agora compra a comida no próprio país. Tanto que para 2012 sua meta é juntar 100 toneladas de alimentos, pagando um dólar por libra, para serem distribuídas aos carentes.

Recentemente, a PIB Flórida participou de uma força-tarefa com outros missionários da Igreja Batista dos EUA para construir 550 casas, ao custo de US$2,500 cada uma. O propósito é garantir abrigo para os que estão ao relento até que eles possam tirar os escombros de seu quintal e reconstruir suas residências.

A PIB Flórida mantém ainda dois orfanatos um com 23 crianças, outro com 44 -, nos quais fornece alimentação, roupas e remédios. A situação é tão calamitosa que os próprios pastores das 250 igrejas veem seus filhos morrerem de fome. Cada um deles recebe um salário de dez dólares por mês para se dedicar às atividades pastorais.

Brasileiros no Haiti

O embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, tem poucos compatriotas para atender. No país, estão hoje 186 brasileiros, legião formada por empresários que foram em busca de novas oportunidades. Companhias do porte da Odebrech se instalaram lá para levar seu know how de construção a um país que precisa montar seu código de edificações a fim de reduzir o número de desabamentos verificado no último terremoto, que alcançou 7 pontos na escala Richter. Até mesmo Aloysio Baide, que atuou no setor de transportes no sul da Flórida, está lá com uma empresa de computadores.

Outro segmento fundamental para o funcionamento do Haiti neste período de transição é o exército brasileiro, uma vez que nossos soldados são responsáveis pelo patrulhamento das ruas e pela manutenção da ordem, evitando saques e violência.

Por causa disto, Silair está pensando em construir futuramente um centro para abrigar os soldados que poderiam vir para cá e se hospedar num local barato, mas com todas as comodidades durante o período de arejamento, que significa dar um tempo para tirar o stress ao qual eles são submentidos.

Se você acha bonito o trabalho feito pelos voluntários da PIB Flórida, entre em contato com a igreja através do website www.pibflorida.org.