Morte de Chávez não empolga venezuelanos a voltar para sua pátria

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Mesmo com expectativa e otimismo, os exilados não voltarão à Venezuela imediatamente

Morte de Chávez não empolga venezuelanos a voltar para sua pátria

DA REDAÇÃO COM EL NUEVO HERALD – Os exilados venezuelanos radicados no sul da Flórida receberam com grande expectativa e otimismo cauteloso a nova etapa que se projeta para a Venezuela, após o falecimento do presidente Hugo Chávez, ocorrido nesta quarta-feira (06/03) e veem como uma oportunidade para mudanças na política de seu país.

A morte de Chávez, vítima de um ataque cardíaco após ter sofrido com um câncer devastador, gerou várias dúvidas entre os exilados venezuelanos nos Estados Unidos, que disseram estar certos de que a insegurança nas ruas e a situação política não mudarão imediatamente.

Embora comemorem a possibilidade de um processo eleitoral transparente e lutem pela democracia e pela separação dos poderes, muitos venezuelanos no exílio disseram que já não podem imaginar seu futuro na Venezuela, conforme divulgou o portal do El Nuevo Herald.

Por sua vez, a Organização de Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex) criticou o fato de os meios de comunicação terem dado a entender que seus membros celebraram com “festa e alegria” a morte do presidente Hugo Chávez e assegurou que não há nada para se comemorar. “Rechaçamos categoricamente as falsas acusações realizadas por meios oficiais do estado de querer nos acusar de festa e alegria pela morte de Hugo Chávez”, afirmou a organização com sede na Flórida.

Através de um comunicado reconheceu: “Não estamos tristes pela morte do mandatário, levando-se em conta todo o ódio gerado contra nós e a atroz perseguição que originou nosso desterro da Venezuela”.

No entanto, “tampouco estamos alegres” por seu falecimento, “primeiro por sua condição de ser humano e segundo porque as causas que originaram nosso desterro permanecem hoje mais do que nunca intactas”, acrescentou a organização.

“Para nós, o exílio não terminou. Por isto não temos nenhum motivo para celebrar”, afirmou a Veppex no comunicado em que transmite suas condolências a familiares e seguidores “pelo desaparecimento físico” do presidente venezuelano. Pediu ainda que seja cumprido o que está estabelecido na Constituição do país para eleger seu sucessor “em condições realmente igualitárias e justas”, segundo divulgou a agência Efe.

Exigem que não sejam manipuladas as informações

“Rechaçamos a mensagem de ódio constante manifestado pelos integrantes do governo contra a oposição e fazemos um chamado para que, nestes momentos de dor para uns e oportunidades para outros, sejam respeitados os sentimentos e pensamentos de todos os venezuelanos que estão fora e dentro do país”, acrescentou.

Neste sentido, a Veppex assegurou “respeitar a dor” dos seguidores do mandatário, mas “exige que não se manipulem mais as informações sobre as reações daqueles que não concordavam com sua política. Esta atitude, destaca o comunicado, somente gera mais ódio e confrontação entre os venezuelanos, com base nas manipulações das mídias mal-intencionadas”.

Igualmente trabalham para mobilizar voluntários venezuelanos nos Estados Unidos para que se preparem para as próximas eleiçõs presidenciais que deverão ser realizadas em menos de um mês.

Cerca de 20 mil pessoas da Flórida, Geórgia, Carolina do Norte e do Sul estão registradas para votar em Miami, mas o consulado foi fechado em janeiro de 2012 poucos dias depois de o Departamento de Estado dos EUA ter declarado persona no grata a cônsul Livia Acosta Noguera.

Apesar dos vários pedidos da comunidade de Miami para que se abrisse um centro de votação no sul da Flórida, as autoridades venezuelanas determinaram naquela vez que deveriam votar no consulado de New Orleans.