Mulher sumida está na Flórida em local seguro

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Juiz concedeu a guarda provisória do filho a Adriana Naves, depois que ela buscou ajuda legal

O jornal AcheiUSA foi o primeiro a noticiar o caso intrigante ocorrido na comunidade brasileira de Coral Springs. Adriana da Cunha Villaverde Naves, natural de Goiânia e vivendo há quase cinco anos aqui na Flórida, teria ido à Forest Elementary School, em Coral Springs pegar o filho Pedro Renato Villaverde Naves, de nove anos de idade, no dia 22 de agosto deste ano, e a partir daí, ninguém mais teve notícia nem da mãe nem do filho.

Agora, porém, o caso sofreu uma reviravolta. Na verdade, Adriana nunca esteve desaparecida. Ela simplesmente decidiu sair de casa por ter sido vítima de maus tratos, segundo afirmou sua advogada Elora Andrade. Aliás, Elora garantiu ter entrado com uma ação na corte de Broward contra o marido de Adriana, Leonardo Naves, acusado de ter cometido abuso doméstico. Entrou e ganhou! No final da tarde, o juiz concedeu a guarda provisória do filho Pedro Renato a Adriana Villaverde Naves.

O cunhado de Adriana, Rodrigo Picolo, também desmentiu as denúncias feitas por Viviane Naves. Segundo ele, não foi Adriana quem desligou o telefone, mas sim a família do marido: Quero deixar bem claro que a família é mentirosa. Primeiro, quem desligou o telefone foi a própria sogra, pois o telefone estava no nome dela, e desligou no outro dia em que a Adriana saiu de casa. Desligou para que Adriana não se comunicasse com a família no Brasil.

E o rapaz continuou a disparar: Ela saiu de casa pois cansou de ser maltratada pelo marido, que só arranjou um trabalho depois que Adriana saiu de casa. A sogra nunca trabalhou. Outra coisa: ela entrou em contato com o marido, sim, depois que saiu de casa. Mas ele apenas fez ameaças a ela, não teve diálogo. Leonardo só conseguiu ir para os EUA com documentos falsificados aqui no Brasil, de propriedades que não lhe pertencem. Eles pensavam que ela está só sem familiares por perto e estão achando que podem fazer o que querem, mas ela está em segurança e com a justiça.

Advogada rebate família do marido

Por falar em justiça, voltamos para Elora. A advogada afirmou ter considerado estranho o único recurso da família ter sido procurar o AcheiUSA. Além do mais, eles afirmaram que a polícia está procurando por ela mas não encontrei nada em nome dela. O que vi registrado nos autos foi apenas uma prisão anterior do marido dela, comentou.

Esta afirmação contradiz a afirmação de Viviane que disse o caso estar na esfera policial. Segundo ela, os policiais acreditam que Adriana tenha sequestrado o próprio filho e está com ordem de prisão.

Entretanto, Viviane contou ao AcheiUSA ter recebido uma ligação de um policial amigo dela, por volta das 2h30 da tarde desta quinta-feira (15/09), informando ter visto Adriana e Pedro nas imediações de um condomínio reservado para vítimas de abusos domésticos. Liguei para a detetive e fomos para lá uma esquina entre a 3rd Aveue e 49th Street, perto da I 95. De fato, é um local destinado a receber pessoas que se encontram neste tipo de situação. Por ter proteção, nem mesmo a policial local recebeu autorização para entrar, contou Viviane, que disse ter uma grande dúvida: Como ela poderia ser aceita num local destes, se nunca fez nenhum tipo de boletim de ocorrência na polícia contra meu irmão?.

O fato foi confirmado pela advogada, que não pode revelar o paradeiro da mãe e do filho, mas garante que eles estão sob guarda da justiça. Aliás, Elora também contestou a afirmação de que o pai é o guardião legal da criança: Isto não procede. Eles não estão separados, portanto, a guarda da criança pertence aos dois. E agora Adriana é legalmente a guardiã de Pedro.

Ainda de acordo com a cunhada, ela está indocumentada no país e a polícia já avisou que irá comunicar a situação para o Serviço de Imigração e ela pode ser deportada. Novamente, a advogada disse que a situação não é bem esta: Como foi agredida e ameaçada, ela está com a lei a seu favor. E já estou entrando com um recurso jurídico para ver se ela consegue regularizar sua situação de permanência legal no país.

Agora, a advogada vai tomar outras ações neste caso, após a decisão judicial a favor de sua cliente. O jornal decidiu tirar a matéria sobre desaparecimento porque ficou claro que não se trata de caso de sumiço. A ocorrência policial nem poderia mesmo ser registrada, porque em nenhum momento ficou caracterizado sequestro ou qualquer coisa do gênero. No máximo, o caso poderia ser registrado como pessoas desaparecidas. Mas, para a polícia, isto é um caso clássico de questão familiar, ligado portanto à Vara da Família, concluiu Elora Andrade.