Na Espanha: Atitude extrema para retornar ao país natal

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Depois da brasileira Juliana Lima, que ficou nua para forçar as autoridades bolivianas a deportá-la, um outro conterrâneo tomou uma atitude extrema para retornar ao país natal: o homem ligou para o número de emergência da polícia espanhola e disse que, se fosse preciso, até cometeria um crime para ser preso e, com isso, ser deportado. “Ele dizia que não agüentava mais e queria retornar ao Brasil”, explicou um porta-voz da polícia de Málaga. O jovem, de 32 anos, acabou passando a primeira madrugada do em uma delegacia, detido por infringir a lei de imigração, já que mora na Espanha ilegalmente há um ano e três meses.

As autoridades lhe deram um documento de expulsão imediata do país, mas não pode mandá-lo de volta ao Brasil. Segundo o ministério de Imigração da Espanha, os imigrantes em situação ilegal que recebem ordem de expulsão devem pagar do próprio bolso o custo da passagem de volta, salvo em circunstâncias especiais. O caso já foi encaminhado ao consulado brasileiro na cidade, mas a resposta foi a mesma: quem paga a passagem é o imigrante. “O governo ajuda com documentação, mas não com dinheiro, nem com passagens. Se todo mundo que quiser voltar, resolver agir assim, imagina?”, questionou uma funcionária do setor consular.

O governo espanhol tem um plano de ajuda para imigrantes que querem voltar ao seu país de origem, mas ele só cobre pessoas que estão em situação regular e que pagaram a contribuição para o sistema de aposentadoria. Em novembro do ano passado, o ministério de Imigração lançou o Plano de Retorno Voluntário e os imigrantes em situação legal na Espanha recebem ajuda financeira – inclusive a passagem – para regressar a seus países de origem. Em um mês e meio de funcionamento os brasileiros estão entre as quatro nacionalidades que mais pedem para voltar, atrás apenas de equatorianos, bolivianos e argentinos. Ao todo, 1.501 pessoas já retornaram, sendo 174 brasileiros.