Na Síria, governo usa estádio como prisão

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Os últimos dois meses têm sido tensos na Síria e o país vive uma onda de manifestações contra o ditador Bashar al-Assad, cuja família está no poder há mais de quatro décadas. Com as forças policiais nas ruas para evitar os protestos, o número de detenções aumentou muito e o governo não tem mais lugar nas prisões para tantos detentos. De acordo com o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdul-Rahman, os detidos estão sendo abrigados em estádios de futebol, em condições subumanas.

Representantes de organizações humanitárias contam que os centros de detenção improvisados ficam nas cidades de Bani e Darra, mas o maior número de prisões aconteceu na capital Damasco. A população está com tanto medo das forças de segurança que muitos evitam sair de suas casas. Até funerais de manifestantes mortos teriam sido proibidos pelo governo. Há franco-atiradores visíveis nos telhados de prédios, contou um morador.

A turbulência na Síria começou em 18 de março, quando manifestantes, inspirados pelos levantes ocorridos em vários pontos do mundo árabe, promoveram uma marcha na cidade de Deraa, no sul do país. Inicialmente, Assad acenou com promessas de reforma, e no mês passado ele revogou o estado de emergência que vigorava no país havia 48 anos. Mas quando os protestos persistiram ele enviou o Exército para sufocar a dissidência pública. No último confronto, pelo menos 19 pessoas morreram depois que tanques atacaram áreas residenciais.