O que querem os republicanos?

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Jehozadak Pereira*

O clima político pega fogo em Washington com a verdadeira batalha verbal entre Barack Obama e os republicanos que se tornaram reféns do Tea Party e tratam de dificultar o que podem a vida do presidente.

A impressão que passa é a de que os republicanos adotaram a velha máxima que regeu a política espanhola décadas atrás, a de que ‘hay gobierno, soy contra’. O que se vê na maior democracia do mundo são as relações extremamente conturbadas pois ao que parece os velhos, brancos, racistas, ricos e intolerantes e que não aprenderam a lição a que lhes sujeitou Obama na reeleição. Ao que parece os republicanos querem fazer um segundo turno da eleição presidencial, pois até hoje não conseguem explicar as razões da débâcle. Esta é a atual situação dos republicanos depois da derrota acachapante que sofreram nas urnas no dia 6 de novembro de 2012 onde viram escapar as chances de voltar a governar o país, derrota que não engoliram ainda.

Tinham o presidente Barack Obama na conta de lame duck – pato manco, que é uma expressão usada nos Estados Unidos para definir políticos, principalmente presidentes em fim de mandado e portanto, sem prestígio.

De acordo com os especialistas republicanos nunca uma eleição seria tão fácil de se ganhar e se de fato Mitt Romney fosse o vencedor levaria consigo ao poder, os fanáticos ultraconservadores do Tea Party – não devemos esquecer que o então candidato a vice Paul Ryan foi uma imposição conservadora e aí as coisas certamente tenderiam a se complicar para todos, especialmente para o trabalhador imigrante indocumentado.

A votação final 62.156.980 – 50,6% para Obama contra 58.805.060 – 47,8% para Romney com 1.945.906 – 1,6% para os candidatos independentes de 2012 não refletem bem a distância entre democratas e republicanos. Em 2008 Obama obteve 69.498.516 – 52,9% e McCain 59.948.323 – 45,6% com 1.866.981 – 1,4% para os independentes. Obama perdeu e os republicanos ganharam terreno, porém a América optou pelo advogado que tenta desde então colocar a casa em ordem em detrimento do administrador experiente, mas que não conseguiu convencer ninguém – inclusive a muitos dos seus pares. Mas no colégio eleitoral a derrota foi ainda mais doída – 332 a 206 para Obama, contra 365 a 173 de quatro anos atrás.

Obama falhou no seu primeiro mandato e ainda falha neste segundo período de governança em muitos pontos mas mesmo assim os republicanos não conseguiram convencer o eleitorado a mandá-lo para casa e são governados por ele queiram ou não.

O certo é que os republicanos saíram desta eleição menores do que entraram nela, principalmente no conceito do povo latino a quem parecem velhos cães raivosos dispostos a morder a primeira perna que lhes surgir na frente.

Saíram convencidos de que ou mudavam ou vão entrar para a história como o partido dos velhos, ricos, brancos, intolerantes e racistas que jamais fazem qualquer concessão e foi exatamente por isto que cerca de 66% dos latinos votaram em Obama e o ajudaram a se reeleger. Os latinos fizeram isto mesmo que Obama não lhes tenha prometido nada a exemplo do que fez na primeira eleição e não cumpriu, por medo de que os republicanos ganhassem e criassem mecanismos de coerção que os forçasse a ir embora nas asas do primeiro avião de volta.

A reforma da saúde passou e apesar de todos os seus problemas e dificuldades está em prática. A reforma de imigração não anda e empacou na Câmara por causa da intolerância e intolerância dos velhos, ricos, brancos, intolerantes e racistas que jamais aceitam discutir qualquer benefício para imigrantes.

A vida ensina que não se pode ser radical o tempo todo, principalmente quando o assunto é política, pois as urnas não perdoam intolerância e embora sejam os favoritos para conquistar mais cadeiras em novembro, vão perder em 2016.

É óbvio que nem todo republicano é um ogro ignorante mas nunca é demais lembrar que em determinadas questões quem está do outro lado do balcão são seres humanos que merecem o devido respeito.

Obama governa com maioria numa casa “Senado e minoria noutra” Câmara dos Deputados e tem que se virar para cumprir a sua agenda e depois desfrutar do prestígio faturando alto como palestrante requisitado. Governar com minoria não é novidade nesta nação e antes de Obama outros presidentes já o fizeram e se deram bem e cabe a ele negociar, negociação que os republicanos jamais querem e por isso é que o presidente faz valer a sua autoridade em impor as ordens executivas.

A raiva, ira, furor e ódio dos republicanos contra Obama tem o componente racial e isto eles não toleram de modo algum, por isto tentam de todos os modos atrasar a governança democrata, legitimamente adquirida nas urnas, tornando-se em verdadeiros estorvos.


*Jehozadak Pereira é jornalista. Artigo publicado originalmente em jehozadakpereira.com.