Obama vence eleição e promete dar continuidade a projetos

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Reeleito, presidente Barack Obama já começa a sentir a pressão em assuntos inacabados do primeiro mandato

 Obama

Joselina Reis

A noite do dia 6 de novembro parecia interminável para quem assistia à contagem de cada voto vindo dos quatro cantos dos Estados Unidos. No final, Barack Obama acabou levando bem mais do que os 270 votos do colégio eleitoral que precisava para ser reeleito: 303 contra 206 para o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, sem contar o resultado do estado da Flórida, ainda indefinido. Obama ganhou também no voto popular, com uma diferença de cerca de 3 milhões de votos que fez os democratas vibrarem durante o discurso de reeleição, às 2am de quarta-feira. Na Flórida, as emendas constitucionais que o governador republicano do estado, Rick Scott, propôs aos eleitores falharam. Apenas três das onze passaram.

A Flórida, como sempre, manteve sua fama histórica de estado que pode decidir uma eleição e deixou o candidato Mitt Romney e o presidente Barack Obama na expectativa até o último momento. O estado mostrou que os condados de Broward, Miami-Dade e Palm Beach, redutos de latinos e brasileiros, estavam com os democratas, mas no final das contas Obama nem precisou do estado para reeleger-se.

Até o fim da tarde de quinta-feira (8), a contagem dos votos na Flórida continuava em andamento, com 97% das cédulas contabilizadas.
Obama mantinha uma dianteira apertada, de 50 a 49%. O motivo da demora seria o grande número de votantes, já que 73% das pessoas em idade para votar foram às urnas, uma novidade em um país onde o voto não é obrigatório. Porém, seja qual for o resultado, os 29 votos do colégio eleitoral da Flórida já não fazem nenhuma diferença para o presidente ou para seu adversário.

Agora que Barack Obama permanece em Washington, depois de um exaustivo e dispendioso período de campanha eleitoral (calcula-se que os dois candidatos gastaram juntos cerca de $2 bilhões), os eleitores já começaram as cobranças. Nos seus primeiros quatro anos de governo, assuntos como a reforma imigratória, aborto, casamento gay e impostos estavam na pauta, mas continuaram patinando sem grandes avanços. Como o próprio lema da campanha de Obama diz, é tempo de “seguir em frente” (Forward) e os eleitores mostraram que não vão se esquecer das promessas e estão dispostos a acreditar que, nos próximos quatro anos, esses assuntos devam sair do papel e se tornar realidade.

Pelo menos a população já pode saber que, com Romney fora da Casa Branca, o projeto de saúde pública (Obamacare) vai continuar no ritmo prometido de implantação. Os estados têm até o dia 16 de novembro deste ano para confirmar se vão oferecer e administrar as opções de plano de saúde aos contribuintes ou deixar o governo federal intervir em seus domínios. Dos 50 estados, apenas treze já se adiantaram com seus planos e o restante, incluindo a Flórida, aguardavam o resultado da eleição para decidir. Algumas medidas importantes do Obamacare entram em vigor já em 2013, mas todos os detalhes só mudam realmente a vida dos americanos em janeiro de 2014, quando todos serão obrigados a ter seguro saúde.

No entanto, vale lembrar que o presidente sozinho não faz a lei. O Congresso, formado pela câmara federal (House of Representatives) e o senado, é quem endossa ou emperra os projetos. Cabe ao presidente manejar as tendências políticas dos dois e conseguir a aprovação dos projetos. Desta vez, o presidente tem o senado ao seu lado, pois os democratas conseguiram a maiorias das cadeiras na casa mas, como nada é perfeito, a câmara é republicana.

Quem elegeu Obama?

Depois dessa eleição, os especialistas acreditam que a linha dura do partido republicano deve repensar alguns de seus pontos mais radicais e quem sabe até acenar com mais cooperação às idéias que elegeram o presidente Barack Obama. A questão imigratória é a primeira da lista. Antes das eleições, Obama assinou o Deferred Action, que deu legalização temporária a milhares de jovens imigrantes. Com isso, não foi difícil imaginar que os imigrantes votariam em massa nos democratas. Na hora do voto, Obama ficou com 71% dos votos dos latinos.

A discussão sobre um outro assunto polêmico, o aborto, também rendeu favoravelmente para Obama. Os resultados finais da eleição mostraram que 55% das mulheres votaram no democrata. Assim, pode-se dizer que o presidente está no caminho certo com relação ao voto feminino. Aliás, a participação feminina foi tanta que pela primeira vez na história americana um estado será representado só por mulheres. New Hampshire tem agora uma governadora, Maggie Hassan, duas senadoras e duas deputadas federais.

Quanto aos afro-americanos, o apoio ao presidente foi tão grande (93% dos que votaram) que não deixou muita chance para os republicanos. Mitt Romney mostrou que tem os conservadores ao seu lado e a maioria daqueles que ganham mais de $50 mil por ano. Mas isso não foi o suficiente para a vitória.