Obama volta a defender reforma abrangente no sistema de imigração

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Em discurso na Califórnia, presidente afirmou que 12 milhões de pessoas que vivem ilegalmente na América devem ter acesso a mecanismos para sair das sombras da sociedade

A crise financeira mundial e o alto índice de desemprego no país poderiam ter inibido o presidente Barack Obama de tocar num dos temas mais polêmicos para os Estados Unidos no momentos. Mas, diante de uma platéia formada basciamente de latinos, o líder da Casa Branca defendeu, mais uma vez, a reforma imigratória, garantindo que quer promover uma mudança integral, permitindo que as pessoas que já estabeleceram raízes na América recebam mecanismos para, com o tempo, “sair das sombras da sociedade”. 

Na defesa da reforma, Obama destacou, porém, que os imigrantes ilegais “não terão um caminho fácil” em sua administração: “Estes violaram a lei, pois não chegaram pelo caminho correto. Terão que pagar uma multa significativa, vão aprender inglês e serão colocados no final da fila para não prejudicarem quem entrou no país corretamente”, explicou o presidente. Mesmo assim, ele garantiu que, depois de cumprirem tais exigências, poderão obter a cidadania. “Não haverá uma anistia instantânea para os indocumentados, ou seja, não será algo garantido ou automático. Tem que ser conquistado “, disse.
Obama, que fez o discurso em Costa Mesa, na Califórnia, acredita que a população vai apoiar uma reforma justa e abrangente, mas acrescentou que vai defender também o reforço da segurança nas fronteiras.

“Queremos também responsabilizar os empregadores que exploram os imigrantes indocumentados”, afirmou Obama, que se encontrou com parlamentares hispânicos na Casa Branca. A estes legisladores, o presidente prometeu que apresentará um projeto para a reforma imigratória ao Congresso ainda em 2009. “O presidente repetiu e reiterou seu compromisso de maneira clara e inequívoca, afirmando que tem toda a intenção de apresentar propostas”, indicou Luis Gutiérrez, democrata de Illinois.
Nunca é demais lembrar que em 2007, ainda como senador, Obama votou a favor da reforma migratória. Depois, transformou o assunto em um dos principais pontos de sua campanha eleitoral junto à comunidade hispânica, cujo voto (66% de 10 milhões de eleitores) foi decisivo na eleição de novembro passado. O discurso em Costa Mesa foi feito no 57º dia de administração.