Operação desmonta quadrilha que fraudava vistos para os Estados Unidos

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Criminosos ofereciam falsas vagas de trabalho temporário para atrair brasileiros

Os integrantes de uma quadrilha internacional que fraudava o sistema de concessão de vistos para trabalho temporário nos Estados Unidos já estão atrás das grades. Uma operação conjunta, que mobilizou autoridades americanas e brasileiras, prendeu onze pessoas em quatro estados (São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina) e ainda procura outros sete foragidos, inclusive alguns nos EUA. Todos foram denunciados por estelionato e formação de quadrilha, mas há suspeitas ainda de lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, que começaram em 2003, os agenciadores ofereciam vagas de emprego inexistentes aos interessados e cobravam até 15 mil dólares dos interessados. O golpe só era descoberto no Consulado, já que a maioria dos brasileiros tinha o visto negado em virtude da rigidez do sistema de imigração americano. Outros, que conseguiam visto, chegavam aos EUA e só então tomavam conhecimento da fraude – muitos passaram fome e tiveram que pedir dinheiro aos familiares.

Trata-se do maior esquema de fraude no setor de vistos de trabalho da história dos Estados Unidos e fez pelo menos duas mil vítimas no Brasil – mas o número pode chegar a nove mil lesados. O crime também foi detectado em países como Rússia, República Dominicana, Filipinas, Romênia e Emirados Árabes, mas a fraude nesses países não foi alvo desta investigação.

A quadrilha tinha como líderes Márcio de Castro Ferreira, Alexandre Fernandes e Valquíria Dozi Batalha – esta última vive nos EUA e ainda não foi detida. Os brasileiros lesados podem ser ressarcidos: para tanto, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo disponibilizou em e-mail (gaeco.guarulhos@mp.sp.gov.br) para os interessados.