Opinião: Cinema brasileiro toma

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Antonio Tozzi

Começou neste sábado a 16ª edição do Festival do Cinema Brasileiro de Miami, com a exibição do filme O Palhaço, de Selton Mello, na parede do novo prédio da New World Symphony em Miami Beach. O lugar é simplesmente fantástico. Semanalmente, são exibidos filmes ao ar livre, contando com a imensa parede e um sistema de som surrounding que possibilita aos espectadores desfrutar da experiência de assistir um filme sob o céu e, melhor ainda, de graça. O local fica ao lado do Jackie Gleason Theater, um dos principais locais para shows em Miami Beach e onde se apresentaram vários artistas brasileiros.

O festival prossegue a semana inteira com duas mostras: a especial, com filmes e documentários sendo exibidos na Miami Beach Cinemateque, e a competitiva, na qual curtas e longas-metragens são exibidos no Colony Theatre e o público dá nota às películas. Assim, com o voto popular, serão definidos os prêmios dados ao melhor filme, diretor, ator, atriz, etc.

Interessante lembrar que o festival já consta do calendário oficial da cidade de Miami Beach e a prefeitura reserva uma verba para ajudar na divulgação dos filmes brasileiros, assim como o condado de Miami-Dade. Há também verbas oriundas do Ministério da Cultura do Brasil e do Ministério das Relações Exteriores, através do Consulado Geral do Brasil em Miami. Mas tanto os contribuintes americanos como os brasileiros podem ficar tranquilos porque não são destinadas verbas astronômicas para a realização do evento, apenas algum tipo de ajuda para viabilizar o evento, bancado mais pelas empresas privadas.

Evento, aliás, que começou há 16 anos em Miami graças ao ideal e ao empenho de três moças: as irmãs cariocas Adriana e Claudia Dutra e a matogrossense Viviane Spinelli, proprietárias da Inffinito, uma empresa de promoção de eventos culturais. Com pouco dinheiro, mas muita determinação, elas conseguiram convencer atores e diretores brasileiros de que o festival de Miami seria uma excelente oportunidade para divulgar seus trabalhos no Exterior.

Paralelamente, elas tiveram de convencer as autoridades locais de que isto poderia ser mais uma fonte de renda de turismo. E vale lembrar que ainda não havia a febre brasileira que existe hoje em Miami e todo sul da Flórida e em Orlando. Agora, 16 anos depois, o festival está mais do que consolidado, e atrai bastante público, sendo ainda uma referência para os produtores e diretores brasileiros, uma vez que também serve como um importante elo de marketing para a comercialização dos filmes para o mercado americano e latino-americano, além de incentivar formação de co-produções internacionais.

O Festival do Cinema Brasileiro de Miami deu filhotes e hoje há festivais produzidos pela equipe da Inffinito em várias cidades do mundo, como Nova York, Madri, Barcelona, Milão, Londres, Buenos Aires, Osaka, entre outras. Ou seja, tornou-se uma importante plataforma de divulgação das produções brasileiras fora do Brasil.

Nestes tempos em que o Brasil está na moda no cenário internacional, o circuito de festivais atua como disseminador da cultura cinematográfica brasileira, mostrando as mais recentes produções que muitas vezes por falta de um bom esquema de distribuição acaba não penetrando no sistema comercial praticamente dominado pelas produções hollywoodianas. Entretanto, como aqui é a terrra do cinema, sempre encontra-se uma maneira de as produções alternativas americanas e os filmes estrangeiros serem exibidos. E o melhor: há público para isto.

Para finalizar, valeu a escolha do filme. “O Palhaço”, com Selton Mello e Paulo José nos papéis principais, é um filme singelo que acabou conquistando a plateia que aplaudiu bastante no final da exibição. Afinal, a arte não tem fronteiras e nem barreiras linguísticas, até porque aqui nos EUA os filmes são legendados em inglês e muitos americanos puderam conhecer um pouco do atual cinema feito no Brasil.

Texto anteriormente publicado no www.diretodaredacao.com