Opinião: Onde estão os líderes?

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Antonio Tozzi

Quando Barack Obama assinou a medida normativa que dá direito aos jovens indocumentados que vivem nos EUA desde crianças conseguirem regularizar-se temporariamente, agiu como um líder, tomando uma atitude que todos esperam de um verdadeiro líder, ou seja, assumindo a responsabilidade e suportando as consequências desta atitude.

Mas isto infelizmente não vem sendo a característica do primeiro mandato do governo Obama. Pelo contrário, ele passou o tempo todo tentando fazer uma política conciliatória com os republicanos, que, por sua vez, nunca fizeram o menor esforço para tentar trabalhar em conjunto com o chefe da nação. O objetivo deles era “e continua sendo” simplesmente remover Obama da Casa Branca e colocar um representante deles.

O problema é que nenhum deles tem o menor cacoete de líder. Mitt Romney, o virtual candidato republicano, ainda não conseguiu conquistar corações e mentes dos seus correligionários. Até mesmo Rupert Murdoch, o todo-poderoso mogul da mídia que atua como correia de transmissão do conservadorismo americano, não esconde a falta de simpatia por Romney em quem não vê a centelha de líder que os Estados Unidos estão clamando.

Aliás, não só os EUA. O mundo atravessa uma fase de falta de líderes. Basta ver quem são os anódinos governantes europeus, cujos nomes aparecem e desaparecem sem deixar vestígios ou saudade. As únicas coisas que ficam são processos de acusações de favorecimentos e corrupções e o arrependimento dos eleitores que elegem os opositores, cujos resultados são iguais ou piores aos dos antecessores.

E isto se repete na África, cujas lembranças de líderes geralmente estão aliadas a golpes de estado e genocídios e mantém como representante solitário de líder positivo Nelson Mandela; na Ásia, onde falta um líder ao estilo de Ghandi, e no mundo arábe, no qual o povo tem conseguido se libertar dos regimes opressores que condenaram as nações e seus cidadãos à miséria e à ausência de perspectivas futuras. Ainda resta o regime cruel e totalitário da Síria que vem resistindo justamente pela falta de líderes. Em vez de agir, os governantes das principais nações tentam reunir-se para colocar pressão sobre um ditador que desconhece oposição e não admite nenhum tipo de interferência apesar de seu país interferir descaradamente na política interna do Líbano.

A América Latina vive talvez a pior fase de líderes, com fanfarrões como Hugo Chavez, Rafael Correa e Evo Morales e outros que pouco têm a contribuir para a melhoria de vida de seus compatriotas e ainda se agarram a dogmas ultrapassados achando que este palavrório pode tirar da miséria seus povos. Em vez de assumirem suas responsabilidades como deveriam fazer os líderes, ficam apenas atacando os EUA como o verdadeiro responsável pela má situação de seus países, repetindo a vitriólica cantilena de Fidel Castro, que condenou seu povo a viver sem liberdade.

No Brasil, nunca se viu tanta carência de liderança. Em vez de se tomar atitudes, opta-se pela formação de comitês, criação de comissões e outros subterfúgios para se diluir as responsabilidades. Ou seja, protelam-se as tomadas de decisões em nome da maior participação e os resultados acabam sendo pífios.

Para se fazer justiça, a crise de liderança não se limita ao mundo político. O mundo empresarial perdeu recentemente talvez seu último representante de líder com a morte de Steve Jobs. Mesmo errando, ele não tinha medo de dar a cara à tapa.

A maioria prefere partir para o caminho dos acordos, nos quais eles ganham e o povo perde. Haja vista, a crise imobiliária que deixou profundas sequelas nos Estados Unidos. Os “gênios” das engenharias financeiras criaram mecanismos para alavancar créditos, com o objetivo de inflar resultados e, com isto, aumentar seus bônus anuais. Pouco se importaram em analisar as graves consequências de suas irresponsabilidades sobre as pessoas que foram vítimas de suas mirabolantes teorias. Ou seja, faltou um líder que viesse a público para justificar as medidas tomadas e pagar pelos erros cometidos. O que assistimos foi a um jogo de empurra-empurra para evitar que os verdadeiros culpados fossem punidos.

Talvez a equalização de responsabilidades tenha tido a boa intenção de conter ímpetos autoritários e ditatoriais, entretanto parece ter criado uma geração de covardes que preferem fazer a sua parte bem em vez de se preocupar em saber se o todo foi realmente bem feito. Ou seja, revelar para a sociedade aqueles que têm a coragem de vir a público e dizer: “Eu sou o responsável por isto”.
Em resumo, onde estão nossos líderes?