País perde 750 mil empregos formais em quatro meses

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Dados do Dieese mostram que crise acabou com 2,3% das vagas de novembro a fevereiro

A crise financeira eliminou 750 mil empregos formais no Brasil entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009, o que representa uma queda de 2,3% nos empregos com carteira assinada no país. É o que mostra um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos registros do Ministério do Trabalho. A agropecuária foi o setor mais atingido, com queda de 7,9% nos empregos em dezembro e de 8,6% no acumulado até fevereiro. Em segundo lugar, as demissões tiveram impacto na indústria de transformação, com perda acumulada de 5% até fevereiro.

Segundo a análise do Dieese, a crise atingiu o Brasil em um momento de recuperação do mercado de trabalho, quando havia crescimento do emprego, da renda e da massa salarial. O número de empregos formais existentes no país entre 1998 e 2007 cresceu 56%, passando de com 24,5 milhões para 37,6 milhões em 2007. Os especialistas estimam que o mercado de trabalho brasileiro fechou 2008 com mais de 39 milhões de empregos formais, um aumento de 10,6 milhões de empregos, entre 2003 e 2008.

Mas os números não desanimaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que a fase mais difícil de reflexos da crise no Brasil já passou e aconselhou aos empresários a enfrentarem o momento delicado com investimentos, em vez de contenção de despesas ou ajuste fiscal. “Essa não é uma crise de fazer contenção de despesas, ajuste fiscal, temos que fazer mais investimentos, projetos de infra-estrutura que gerem empregos”, afirmou o presidente.