Papa teve a maior recepção do governo Bush

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Mais de nove mil pessoas participaram de evento para Bento 16 em Washington

A deferência começou já na aterrissagem: o Pastor Um, apelido do avião da Alitalia que transporta o papa, pousou em Washington DC e o presidente George W Bush – acompanhado da primeira-dama Laura e da filha Jenna – estavam lá para receber Bento 16. Foi a primeira vez que o líder norte-americano concedeu a honra de receber um chefe de Estado naquela base aérea. Desde então, a visita do sumo pontífice aos Estados Unidos, a primeira desde 1999, foi marcada pela cordialidade e sorrisos. Em entrevista recente, Bush afirmou que “vê Deus” quando olha nos olhos do papa.

Apesar das afinidades, os dois vão discutir assuntos espinhosos até o final da semana. Os Estados Unidos são a terceira maior nação católica do mundo, mas os escândalos sexuais arranharam seriamente a reputação da Igreja no país e já custaram aos cofres do Vaticano mais de US$ 2 milhões em indenizações. Além disso, Bento 16 tem se manifestado constantemente sobre temas como o embargo norte-americano a Cuba e a pena de morte. Mas a grande expectativa do encontro girou em torno da guerra do Iraque e das leis rígidas em relação aos imigrantes. Os assessores das duas partes não quiseram entrar em detalhes sobre as conversas.

Certo é que a recepção ao papa foi a maior já vista a um chefe de estado durante a administração Bush: uma salva com 21 tiros e uma recepção para mais de nove mil pessoas marcaram o evento, realizado na Casa Branca. “Os Estados Unidos sempre se mostraram generosos ao irem ao encontro das necessidades humanas imediatas, promovendo o desenvolvimento e oferecendo alívio para as vítimas das catástrofes naturais”, disse o papa.

Resta saber se a visita, que terá outro ponto alto na missa que será conduzida em pleno estádio do Yankes, em Nova York, no domingo, vai mudar o pensamento do presidente em relação à guerra e à política imigratória.