Parlamentares insistem no E-Verify

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Aplicação do programa foi incluído no pacote de estímulo aprovado pela Câmara

Grupos que são contra a imigração ilegal estão se mobilizando para garantir que o plano de estímulo econômico contenha dispositivos de proteção aos trabalhadores americanos. Numa época com altos índices de desemprego, os ativistas querem que o governo mantenha o foco na criação de vagas para cidadãos e não para indocumentados.

O pacote de 819 bilhões aprovado na Câmara de Representantes incluía duas provisões de verba para o programa E-Verify – uma ferramenta eletrônica que permite aos empregadores verificar o status imigratório de seus empregados: a primeira delas, sugerida pelo deputado republicano Ken Calvert, revalida a autorização para o uso do E-Verify por mais quatro anos; a outra, do também republicano Jack Kingston, oferece verba às empresas para aplicação de medidas que impedem a contratação de pessoas sem a devida autorização de trabalho.

“O E-Verify é a base para toda a aplicação da lei de imigração. Se os empregadores mostram aos indocumentados que não há emprego para quem não tem visto, pois é feita uma checagem dos dados, isso vai desencorajar a vinda de imigrantes em situação irregular para a América”, disse Rick Oltman, porta-voz do grupo ‘Californians for Population Stabilization’.

O programa vem sendo oferecido gratuitamente a todos os empregadores do país desde 2004 e, até janeiro deste ano, cerca de 100 mil empresas já haviam se registrado para o E-Verify junto ao Serviço de Imigração (U.S. Citizenship and Immigration Services). A ferramenta permite que as empresas verifiquem a situação de mais de 18 milhões de trabalhadores. “Esta é a melhor maneira de atacar o problema e evitar que empresários inescrupulosos tirem vantagem de imigrantes indocumentados”, disse Jim Specht, assessor de um deputado republicano. Muitos parlamentares acreditam que se as autoridades americanas tornarem obrigatório o uso do E-Verify estarão mandando a mensagem de que realmente querem acabar com a imigração ilegal.

No entanto, é claro, os que defendem os direitos dos imigrantes não querem que essa medida seja incluída no pacote de estímulo econômico. Para muitos críticos, o programa tem falhas, a principal delas o alto índice de erros de informações. Outro fator de preocupação é que muitos empregadores poderiam usar o E-Verify como forma de coação contra os trabalhadores. “Com a economia nessa situação, ninguém pode se dar ao luxo de perder o emprego por um erro na base de dados do governo”, disse Tyler Moran, diretora do National Immigration Law Center, uma organização com base em Los Angeles.

Outros pedem que o programa seja, pelo menos, revisado antes de ser obrigatório. Para a analista Michele Waslin, do Immigration Policy Center, uma entidade pró-imigrantes, especializada em pesquisa, medidas como a do E-Verify deveriam ser parte de uma grande reforma imigratória. “Não se trata de uma ‘bala mágica’ que resolverá todos os problemas. Se for usada fora do cotexto de uma reforma certamente vai causar danos aos trabalhadores”, disse a ativista.