Histórico

PF faz megaoperação em em oito Estados e nos EUA

Quadrilha acusada de cometer fraudes no comércio exterior pode ter ramificações em Miami

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (16) uma operação em oito Estados brasileiros e em Miami, nos Estados Unidos, para desarticular uma quadrilha acusada de cometer fraudes no comércio exterior. A Operação Dilúvio, em conjunto com a Receita Federal, acontece nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Espírito Santo, Ceará e Pernambuco. Pelo menos 1,4 mil policiais federais cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão.

As principais irregularidades apuradas são sonegação, interposição fraudulenta, falsidade ideológica, evasão de divisas e cooptação de servidores públicos. De acordo com a rádio Polícia Federal, entre os envolvidos está um grupo empresarial estabelecido em São Paulo.

No Rio de Janeiro, um homem foi preso em um sítio em Jacarepaguá. No local, foram apreendidos documentos e computadores, além de um Land Rover que estava na casa. O detido será levado para a sede da Superintendência da PF, na praça Mauá, no centro, onde prestará depoimento.

A operação reúne desde a madrugada cerca de 950 policiais federais e 350 servidores da Receita Federal. As equipes executam mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Paranaguá (PR) e Itajaí (SC) em mais de 200 locais. As buscas acontecem em residências dos envolvidos, empresas do esquema, principais clientes, depósitos de mercadorias, escritórios de advocacia e de despachantes e colaboradores.

Como funciona o esquema – O principal líder do grupo é um empresário paulista que morou no Paraguai. Nos últimos dez anos, o grupo registrou dezenas de empresas importadoras, conhecidas como “tradings”, além de diversas distribuidoras que intermediavam as operações de forma a ocultar e a blindar o real importador (cliente do grupo), e realizar uma expressiva redução fraudulenta de tributos.

Uma das tradings, criada no inicio do grupo, foi citada no relatório final da CPI da Pirataria do Congresso Nacional, por envolvimento na rede de abastecimento para o esquema de Law Kim Chong.

O esquema permitiu a importação de aparelhos eletrônicos, equipamentos de informática e telecomunicações, pneus, equipamentos de ortopedia e luvas cirúrgicas, frutas, embalagens plásticas ou PET, tecidos e vestuários, pilhas e baterias, carros e motos, vitaminas e complementos alimentares, produtos de perfumaria, entre outros. Os principais clientes estão localizados nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.

As investigações mostram que as empresas do grupo importaram mais de R$ 1,1 bilhão, nos últimos quatro anos. Considerando que os valores declarados provêm de um subfaturamento em média de 50%, pode-se estimar uma sonegação de tributos federais aduaneiros em mais de R$ 500 milhões, sem levar em conta os outros tributos como ICMS, IPI, PIS, COFINS e Imposto de Renda.

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