Os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelam que o número de pessoas com complicações decorrentes de picadas de carrapato atingiu o patamar mais elevado desde 2017. A quantidade de atendimentos variou entre 70 e 85 casos para cada 100 mil pacientes, mais do que o dobro da média histórica registrada para o período.
A região Nordeste do país é o principal epicentro do surto, com uma taxa semanal de atendimentos de até 229 casos para cada 100 mil consultas de emergência, o que equivale a um salto superior a 300% na comparação com meses de menor incidência.
Cientistas atribuem a explosão populacional de carrapatos às transformações climáticas globais. A ausência de períodos prolongados de frio extremo permitiu que uma proporção maior desses aracnídeos sobrevivesse durante os meses gelados, encurtando o período de hibernação e antecipando o início da época de reprodução.
Segundo a médica e infectologista Céline Gounder, as condições meteorológicas atípicas também impulsionaram os carrapatos a migrar para regiões onde não havia registros de sua presença. Biólogos e pesquisadores destacam que a atividade desses parasitas agora se estende de março a novembro, transformando-os em um desafio de saúde permanente ao longo do ano.
O avanço dos parasitas preocupa os órgãos de saúde devido às doenças associadas às suas picadas. Embora a doença de Lyme seja a infecção com maior número de casos registrados, outras enfermidades graves têm sido identificadas. Entre elas está a síndrome de Alpha-Gal, uma alergia grave à carne vermelha e a produtos de origem animal que pode ser fatal. A doença pode ser desencadeada pela picada do carrapato conhecido como Lone Star (Amblyomma americanum), que pode introduzir na corrente sanguínea uma molécula de açúcar específica capaz de desencadear uma resposta do sistema imunológico.
As autoridades de saúde monitoram também o aumento de registros de babesiose, anaplasmose e do vírus Powassan, uma infecção rara que pode provocar inflamação grave no sistema nervoso central, resultando em convulsões e perda permanente de memória.
O Departamento de Saúde da Flórida emite alertas constantes para o avanço de outras infecções relacionadas ao parasita, como a febre maculosa e a anaplasmose. O clima quente e predominantemente úmido do estado mantém a população desses aracnídeos ativa durante todo o ano, criando um cenário de exposição contínua para residentes e visitantes que frequentam áreas de vegetação, trilhas e parques estaduais.
O órgão de controle de doenças recomenda medidas preventivas rigorosas ao frequentar áreas de mata, incluindo o uso de repelentes específicos e roupas de mangas compridas e calças compridas, bem como a checagem minuciosa do corpo após passeios ao ar livre. Especialistas alertam que a remoção do carrapato com o auxílio de uma pinça, nas primeiras 24 horas após sua fixação, reduz o risco de transmissão de bactérias e vírus patogênicos.
As crianças pequenas estão entre as mais vulneráveis e representam a maioria dos casos identificados nos pronto-atendimentos. Médicos reforçam que qualquer pessoa que apresente febre ou lesões avermelhadas na pele em forma de alvo deve procurar atendimento médico imediato para avaliação e, quando indicado, início do tratamento com antibióticos.
Com informações da CBS News e do jornal The Hill.
