Polícia preocupada com atuação de gangues brasileiras nos EUA

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Prisão de dois jovens confirma ligação de crimes em Massachusetts com quadrilha criada na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro

Marcilei Caetano e Joelson Fonseca dividiam mais do que o apartamento em Framingham (Massachusetts) e a paixão pelos carros. Os dois jovens, de 24 e 21 anos respectivamente, integravam uma gangue naquela região que tinha ligação com uma quadrilha do crime organizado no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, o grupo ‘Amigos dos Amigos’ (ADA) é uma das três grandes forças do tráfico no Brasil, sendo a primeira a manifestar sua atuação dentro da nossa comunidade nos Estados Unidos.
Os dois foram presos há alguns meses por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement), durante uma operação organizada a partir de denúncia anônima feita por membros da própria comunidade. Caetano já foi até deportado para o Brasil, mas Fonseca está preso, cumprindo sua sentença por porte de drogas, e será expulso do país ao final da pena. A polícia de imigração descobriu também que eles estavam envolvidos com outras atividades ilícitas, como invasão de domicílios e distribuição de drogas.
A partir da detenção dos dois rapazes, as investigações confirmaram a existência da atividade intensa de outras gangues brasileiras na comunidade, especialmente em Framingham, Worcester and Milford. Duas delas, a ‘Furacão’ e a ‘Jovem Brazilian Máfia (JBM)’ têm sido responsáveis por muitos crimes no estado de Massachusetts. Tanto é verdade que o chefe de polícia de Framingham, Steven Carl, está preocupado: ele enviou dois de seus oficiais para um treinamento especializado junto ao ICE, que oferece ferramentas e recursos para o combate a crimes violentos envolvendo imigrantes que estão na América ilegalmente.
“O nosso trabalho tem sido duro. É difícil investigar a atuação de gangues compostas por pessoas indocumentadas, pois muitas delas não aparecem em nossos registros, são como fantasmas. Além do mais, ninguém da comunidade quer denunciar os crimes, pois como imigrantes ilegais, as pessoas têm medo da polícia”, afirmou Carl, acrescentando que os brasileiros muitas vezes são vítimas dos próprios brasileiros.
A maior preocupação dos policiais é que o Brasil passe a “exportar” as gangues que são responsáveis por uma das maiores taxas de criminalidade na América Latina: “Eles intimidam a comunidade e são violentos”, atestou Carl. Segundo ele, Caetano era o líder da ADA e Fonseca, um dos membros mais ativos. Os dois eram muito amigos e tinham extensa ficha policial. Já haviam sido detidos por violações de trânsito, má conduta, porte de drogas, danos causados por tiros com espingarda de chumbo e outros crimes. “Nós queremos prender, condenar e expulsar pessoas como eles, mas não podemos fazer isso sem a ajuda da comunidade”, finalizou Carl.