Postura republicana sobre a reforma imigratória pode mudar

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Um plano entregue esta semana na Câmara de Representantes, que inclui a cidadania para os dreamers, poderá converter-se na pauta das discussões futuras sobre a reforma imigratória no Congresso.

O Subcomitê de Imigração do Comitê Judiciário da Câmara de Representantes recebeu das mãos do líder da maioria, Eric Cantor (Virgínia), uma proposta de lei que oferece aos dreamers (jovens indocumentados que entraram como crianças nos Estados Unidos) legalizar suas permanências e obter a cidadania.

O plano conta com o apoio dos três líderes republicanos da Câmara de Representantes: John Boehner (Ohio), presidente do Congresso, Eric Cantor (Virgínia), líder da maioria republicana, e Bob Godlatte (Virgínia), presidente do Comitê Judiciário.

O plano, chamado de Kids Act, pretende beneficiar 1.8 milhão de indocumentados dos 11 milhões que vivem no país. “Existe uma classe de indocumentados que merece ser considerada de maneira diferente. Refiro-me àqueles que chegaram como crianças com seus pais. Eles não têm culpa por esta decisão”, disse Goodlatte a um repórter da agência Reuters.

Ao contrário da postura da liderança republicana, os democratas reiteraram que a solução para o problema dos 11 milhões de indocumentados deve ser mais ampla, incluindo todos ou, como o plano do Senado, para aqueles que estão nos Estados Unidos desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não possuam antecedentes penais.

O senador Bob Menéndez (democrata de New Jersey) previu que o número de beneficiados com a reforma imigratória da Câmara Alta será de 9 a 10 milhões de estrangeiros sem papéis de permanência legal no país.

Cerca de 300 líderes evangélicos foram ao Congresso esta semana para se reunir com os líderes republicanos e pressioná-los a aprovar uma reforma imigratória com direito à cidadania. O pedido soma-se ao desejo da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) que clama por uma reforma imigratória “com sentido comum”. Tanto evangélicos como católicos asseguram que permanecerão em campanha durante todo o tempo que durar o debate.

Pesquisa de La Raza

Em New Orleans, o Conselho Nacional de La Raza (NCLR) divulgou uma pesquisa elaborada entre 1,000 participantes na Conferência Anual 2013. Noventa e cinco por cento disseram que a aprovação da reforma em 2013 era um assunto importante.
A pesquisa revelou que mais de 91% dos democratas que foram à Convenção apóiam a reforma imigratória ampla, assim como 90% dos independentes e 82% dos republicanos.

“Esta sondagem reforça o que temos visto. Independentemente da identificação política, demográfica ou geográfica, os americanos querem que seus representantes consertem o sistema imigratório e construam um caminho para a cidadania para aqueles que queiram se tornar cidadãos”, disse Janet Murgia, presidente de La Raza.

“Os latinos estão acompanhando bem de perto o que está passando no Capitólio”, disse Murgía. “Eles não se esquecerão daqueles que estão lutando para preservar políticas antigas que já falharam e não serve para ninguém, e aqueles que estão trabalhando a favor de nossos interesses nacionais, apresentando uma solução sobre o tema da imigração”, acrescentou.

Ativistas que defendem os direitos dos imigrantes, o setor religioso e organizações nacionais acreditam que a estratégia de pressão, mais o respaldo dos setores trabalhista, empresarial e tecnológico obriguem a Câmara de Representantes a seguir os passos do Senado e inclinar-se por uma reforma imigratória ampla.

No final de junho, o Senado aprovou por 68 votos a favor e 32 contra um plano que inclui a cidadania para indocumentados que estão nos Estados Unidos desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não tenham antecedentes criminais.

Os que se qualificarem deverão entregar suas impressões digitais ao Departamento de Segurança Nacional (DHS) e pagar multas. Os que receberem a autorização entrarão em um status de imigrante provisório por 10 anos ao término do qual poderão pedir a residência permanente. Três anos depois, terão direito a solicitar a cidadania.

O Grupo dos Sete (integrado por quatro democratas e três republicanos) elabora em segredo um plano que, de acordo com o The Washington Post, obrigará os indocumentados a aceitar que violaram a lei ao permanecer sem papéis no país. Depois, entrarão em um status de liberdade condicional por cinco anos.
Ao final desta fase, os indocumentados poderão pedir a residência e cinco anos mais tarde a cidadania americana.