Presidente do Sudão pode ser preso por crimes contra a humanidade

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Tribunal Internacional acusa Omar al-Bashir de assassinar mais de 300 mil pessoas

O Tribunal Penal Internacional (TPI) expediu um mandado de prisão contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade na região de Darfur, no oeste do país. Esta é a primeira vez que a corte indicia um governante em exercício desde sua criação, em 2002.

Um porta-voz do tribunal disse, contudo, que a acusação mais grave, de genocídio, não foi incluída no documento pois o promotor-chefe não conseguiu fornecer provas suficientes de “intenção específica” da parte do governo sudanês de destruir grupos étnicos em Darfur. Bashir, que nega as acusações, disse durante a inauguração de uma usina hidroelétrica em Merowe, no norte do país, que o tribunal em Haia, na Holanda, poderia “comer” o mandado de prisão.

O chefe de Estado afirmou que o mandado “não vale a tinta com que foi escrito” e dançou para milhares de partidários, que queimaram uma imagem do promotor-chefe do tribunal, Luis Moreno Ocampo. A notícia da decisão judicial foi recebida com críticas à força de paz conjunta ONU-União Africana, Unamid, presente no Sudão.

A ONU estima que cerca de 300 mil pessoas morreram e 2,7 milhões tiveram que abandonar suas casas por causa do conflito na região, que já dura seis anos. O indiciamento de Bashir foi concluído em julho passado por dez acusações de genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade. Segundo o promotor do tribunal, há provas contundentes e mais de 30 testemunhas dispostas a depor contra o presidente sudanês.