Professor brasileiro pode ser o melhor dos Estados Unidos

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O fluminense Alexandre Lopes está concorrendo com outros três, e a cerimônia acontece terça-feira na Casa Branca

Joselina Reis

O brasileiro Alexandre Lopes, 44 anos, é um dos finalistas para o Prêmio Nacional de Melhor Professor do Ano de 2013. O nome do vencedor será divulgado em uma cerimônia na Casa Branca na terça-feira (23). Enquanto a data não chega, Alexandre que ganhou notoriedade após ser premiado como o melhor da Flórida, teve sua rotina alterada radicalmente e agora deixou a sala de aula da escola Carol City Elementary School, onde trabalhava com crianças com necessidades especiais, para dar palestras pelo estado.

Ele conta que sua expectativa para a cerimônia é grande, mas garante que tem os pés no chão e ganhar uma medalha não estava nos planos quando começou a trabalhar com crianças pobres e expecionais. “Será um sonho. Um ‘American Dream’. Uma sensação, mesmo que temporária, de dever cumprido. Sendo o escolhido ou não, pretendo representar, da melhor maneira possível, os meus alunos.

Crianças deficientes, imigrantes, pobres e integrantes de camadas minoritárias da sociedade americana. Eles fizeram de mim o professor, a pessoa que sou hoje. É por causa deles que cheguei aonde cheguei. O mínimo que posso fazer para retribuir-lhes este grande presente é deixar que a voz deles seja escutada através da minha voz”, disse.

Sobre as mudanças que os prêmios lhe trouxeram, ele foi escolhido o melhor professor do condado de Miami-Dade e depois o melhor do estado, ele lembra que sente falta das crianças, mas encara sua nova trajetória como outra maneira de ajudar os seus alunos. “Agora eu sou o Christa McAuliffe Ambassador for Education in the State of Florida. Com isso, fui tirado da sala de aula e colocado em período sabático. Viajo ao redor de estado da Flórida dando palestras e treinamentos. Sinto falta dos meus alunos e da minha sala de aula. No entanto, faço com que a importância de uma educação inclusiva e culturalmente responsiva seja escutada por todos, aonde quer que eu vá. Cresci muito na minha nova função. Tornar-se uma figura pública, discursar diante de grandes audiências e saber navegar a cena política é um grande desafio. Eu aprendi muito tendo que lidar com tudo isso”, comentou.

A cerimônia está marcada para as 2pm na Casa Branca. O vencedor vai receber o prêmio das mãos de ninguém menos do que do presidente Barack Obama. Cada concorrente mais um convidado vão ficar hospedados por uma semana próximo à Washington e a organização preparou várias atividades para o grupo de professores incluindo visitas a museus e treinamento.

Carreira

Natural de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lopes mora nos Estados Unidos há 18 anos e há oito dá aulas na Flórida.

Com menos de uma década de experiência, Alexandre se tornou um dos líderes da Carol City Elementary Schoool, uma escola de educação fundamental que trabalha com alunos com deficiência intelectual, em uma região carente do condado de Miami-Dade, na Grande Miami. No colégio, Alexandre dá aulas para crianças entre 3 e 5 anos, do chamado maternal.

“Para cada aluno com autismo, há dois sem. Meu método é o da inclusão total, no qual ensino a mesma coisa, da mesma maneira, para os meus alunos com e sem deficiência intelectual”, explica. “Uso muita música e procuro atingir as crianças por meio de todos os sentidos”, conta.

O trajeto até concorrer ao título de melhor professor do ano nos Estados Unidos, começou em 2011, na Carol City. “Primeiro, virei o professor do ano da minha escola. No ano passado, fui escolhido o educador do ano da região de Miami onde trabalho, a Miami-Dade.
Então, no fim de 2012, fui selecionado professor do ano da Flórida”, conta.