Programa investiga condições de saúde dos imigrantes

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Brasileiros podem agendar visita para receber, gratuitamente, dicas de como melhorar a qualidade de vida nos Estados Unidos

Uma das maiores carências do indocumentados nos Estados Unidos diz respeito à questão de saúde: além da impossibilidade de arcar com os altos custos de um plano – e, portanto, distantes de atendimento médico de qualidade – os imigrantes ainda sofrem com mudanças na rotina após a vinda para a América: jornadas exageradas de trabalho, alimentação descuidada e a falta de prevenção fazem com que muitos estrangeiros, entre eles os brasileiros, apresentem um alto índice de enfermidades. Pesquisas confirmam esse fenômeno e mostram que as comunidades latinas, especialmente, sofrem de problemas do coração, depressão, estresse e até câncer.

Pensando no bem-estar destas pessoas, universidades brasileiras e entidades nos EUA, inclusive o Programa Nacional de Saúde, resolveram lançar o projeto Serviço Educacional Lar e Saúde para auxiliar a população imigrante a melhorar a qualidade de vida na América. O método é simples: estudantes universitários encontram-se com a comunidade – seja em casa, igrejas ou associações – para buscar informações sobre costumes que podem ser causadores deste indice crescente de enfermidades e, mais importante, auxiliam no processo de mudança.

Falamos sobre a necessidade de uma boa alimentação, dos hábitos saudáveis e outros assuntos relacionados à prevenção de doenças. É impressionante a quantidade de brasileiros que retornam ao país hipertensos, diabéticos ou com algum tipo de câncer”, contou Francis Giovanella Valle, da Unasp, de São Paulo, que é um dos coordenadores do programa. Ele está com um grupo atuando no sul da Flórida junto à comunidade brasileira e latina em geral, com o apoio da Universidade de Miami. São jovens de diversas áreas, desde medicina, enfermagem, fisioterapia até nutrição.

O projeto foi desenvolvido graças à colaboração do médico Jorge Pamplona, da nutricionista Eunice Vidal, da fitoterapeuta Elisa Biazze e da psicóloga Nancy van Pelt. Os quatro profissionais capacitam os estudantes a levarem o projeto adiante, sem qualquer custo para quem recebe as visitas ou palestras. O incentivo aos alunos consiste na oportunidade de lidar diretamente com o público e com questões pertinentes às suas futuras profissões, mas as participações também valem como pontuação para bolsas de estudos em futuros cursos de pós-graduação e residência. “O projeto já foi realizado em vários estados americanos e vamos ficar aqui na Flórida apenas por alguns meses”, explicou Francis.

Uma das famílias visitadas foi a de Carmen Castro, que mora em Miami. Ela ficou impressionada como no bate-papo com o grupo pôde entender o que estava fazendo de errado com sua saúde. “Estraí a glândula tireóide há algum tempo, mas não sabia que deveria evitar cafeína. Por muitos anos devo ter acentuado problemas no meu organismo pela falta de alguém para me aconselhar”, disse Carmen.
Todas as entrevistas e informações obtidas através do programa Serviço Educacional Lar e Saúde serão compilados em um estudo, que deve ser publicado em 2010. A partir daí, os dados poderão servir de base para políticas públicas de apoio aos imigrantes nos EUA. “São pequenas providências e hábitos que podem fazer grande diferença na vida dos estrangeiros aqui na América”, finaliza Francis. O contato com o grupo pode ser feito pelo telefone (786) 222-6781 e não custa lembrar que as visitas e os conselhos são gratuitos.

Informações interessantes sobre a saúde dos imigrantes:

– De acordo com o documentário ‘Unnatural Causes: Becoming American’, produzido pela California Newsreel e exibido em rede nacional pela PBS, os imigrantes normalmente chegam ao país em melhor estado de saúde do que a média dos americanos. Mas em poucos anos, a saúde física e mental deteriora.
– Pesquisas mostram que imigrantes estão mais sujeitos a sofrer de pressão alta, obesidade e depressão. Outro dado alarmante é que uma em cada sete latinos nos EUA tenta o suicídio.
– Entrevistas conduzidas pela Universidade de Massachusetts Lowell junto a 626 trabalhadores imigrantes brasileiros revelaram que 42 % deles já tiveram algum problema de saúde relacionado ao trabalho em um ano. Apesar disto, 80% dos entrevistados nunca haviam recebido qualquer atendimento de saúde.