Projeto do governo deve ajudar nove milhões de mutuários

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Primeiro foi sancionada a lei que pretende estimular a economia americana com a geração de 3,5 milhões de novos empregos e investimentos de 787 bilhões de dólares nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e iniciativas de energias renováveis. Agora, o foco da Casa Branca vai para os cerca de nove milhões de proprietários de imóveis que estão em dificuldades devido à queda nos preços das casas e pagamentos inacessíveis. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um novo plano no valor de 75 bilhões de dólares para aliviar as prestações das hipotecas, através do refinanciamento da dívida junto às instituições financeiras.

“No final das contas, todos nós estamos pagando o preço dessa crise hipotecária. E todos nós vamos pagar um preço ainda mais exorbitante, se permitirmos que a crise se aprofunde”, justificou Obama, ao apresentar detalhes da iniciativa, em Phoenix (Arizona). A cidade, inclusive, é uma das mais atingidas pelos problemas imobiliários, já que pelo menos 350 mil casas foram para foreclosure naquela região metropolitana nos últimos 12 meses. Para o presidente, o problema está desestruturando os donos de residências, a classe média e o próprio sonho americano, não apenas no Arizona. “Por isso, temos de agir com coragem e precisão para deter esse círculo vicioso, para que toda sociedade se beneficie disso”, acrescentou Obama.

Além das medidas do plano apresentado por Obama, o Departamento do Tesouro dos EUA pretende dobrar (para 400 bilhões de dólares) o volume máximo de recursos que poderá alocar nas agências de refinanciamento de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac, responsáveis por garantir o financiamento de cerca de 75% dos pedidos de hipotecas americanas no ano passado.Obama deixou claro, porém, que a iniciativa não visa ajudar aqueles que compraram imóveis com o intuito de investimento ou especulação. “Cada um tem que assumir responsabilidade por suas ações e aprender a viver com os seus recursos”, frisou, referindo-se aos problemas do crédito.

O plano do governo americano para o setor imobiliário contempla o refinanciamento e alterações nos empréstimos, entre outros pontos. Também consta a possibilidade juízes alterarem as hipotecas durante falências, uma medida a qual o setor financeiro se opôs fortemente. O projeto estabelece ainda um fundo de 10 bilhões de dólares para proteger investidores contra novas quedas nos preços das casas e requer que todas as instituições financeiras que recebam recursos do governo participem de um programa que busca padronizar os empréstimos.

Problema atinge 13 milhões de proprietários de imóveis no EUA

De acordo com o site da Moody’s Economy, dos cerca de 52 milhões de mutuários no país, 13,8 milhões (perto de 27% do total) enfrentam problemas com os financiamentos, já que suas casas valem menos do que eles devem de mortgage. Na Flórida, este é uma ocorrência normal: o estado tem seis regiões metropolitanas entre as com o maior índice de processos nesta situação – Fort Lauderdale (6º na lista), Orlando (7º), Miami (8º), Sarasota/Bradenton (11º), Tampa/St. Pete (13º) e Palm Beach (16º). Quase 240 mil residências foram hipotecadas nestas regiões – o total do estado da Flórida foi de 385,309 imóveis em foreclosure.

Para Lúcio Alcântara, proprietário da Master Financial, empresa que oferece soluções neste setor, a iniciativa do governo vem em boa hora. “O investimento de 75 bilhões de dólares para estimular o mercado imobiliário é mais do que necessário, mas os efeitos não serão imediatos”, acredita.Ele considera, porém, que a primeira providência do plano vai ser recuperar a capacidade dos mutuários de preservarem as suas casas. “Muitos já sabiam que iam perder suas casas para o foreclosure e, por isso, deixaram de fazer a manutenção nos imóveis. Isso não deve acontecer mais, pois agora os proprietários têm uma nova perspectiva”, disse.

O real estate broker Joe Souza, da MSG, concorda e acha que a proposta do governo vai ajudar aos proprietários a negociarem suas dívidas. Mesmo sem a divulgação dos detalhes do plano, ele aposta que as medidas vão ajudar a sacudir e recuperar o mercado, em baixa desde 2007. “Isso sem falar que já tem muita gente interessada em comprar, pois os preços estão caindo”, explicou. Joe ressaltou que a solução para o problema imobiliário vai resolver também outros setores da economia. Um detalhe, porém, chamou a atenção de outra especialista, a consultora Eliana Cabral: “O importante é que esta verba seja disponibilizada diretamente aos donos de imóveis e não aos bancos”, afirma.