Protesto em Iowa reúne mulheres detidas pelo ICE

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Manifestantes criticam operações antiimigrantes e prisão de indocumentados

Liderados por 43 detentas que estão em liberdade provisória, manifestantes ocuparam as ruas de Postville, no estado do Iowa, para protestar contra as operações conduzidas pelo ICE – Immigration and Customs Enforcement. As mulheres em questão, na maioria mexicanas e guatemaltecas, foram presas durante uma ação da polícia de imigração em uma fábrica daquela cidade, há pouco mais de dois meses, mas obtiveram permissão de aguardar o julgamento em liberdade para ficar com seus filhos e familiares. O grupo criticou o abuso das autoridades no tratamento da questão imigratória.

A operação que resultou na prisão de 390 trabalhadores da AgriProcessors Inc., em Postville, aconteceu no dia 12 de maio deste ano e foi a maior da história do país. Segundo os agentes do ICE, muitos dos empregados daquela fábrica cometeram crimes de roubo de identidade e uso fraudulento de números de identificação (Social Security). A empresa tinha, à época, cerca de 900 funcionários, mas um ex-gerente da AgriProcessors garantiu que pelo menos 80% deles estão em situação irregular.

Os ativistas dos grupos de defesa dos imigrantes lembraram que as operações do ICE têm separado as famílias, o que afeta sobremaneira as crianças, muitas delas americanas. Um dos exemplos disso é o de Maria Laura Gómez, que trabalhava na Agriprocessors Inc.: ela foi colocada em liberdade para cuidar do neto, já que a filha (mãe do garoto) continua atrás das grades. “Rezo para que as palavras ditas aqui ressoem em Washington DC, pois sinto muita dor quando penso na situação em que estamos”, lamentou.

O protesto em Postville reuniu pessoas de vários cantos do país, que marcharam por cerca de duas milhas. “Temos aqui gente de Minneapolis, Wisconsin, Chicago, Nova York e New Jersey, todos lutando por uma causa nobre. Os imigrantes não são criminosos, querem apenas ganhar a vida honestamente”, afirmou o rabino Harold Kravitz. A manifestação, porém, não foi em uma só voz: em alguns momentos, o protesto acabou sendo interrompido por grupos antiimigrantes, que faziam muito barulho. “Como americana, estou farta disso. Por que os indocumentados não podem cumprir as leis?”, indagava Claire Jamison, que viajou de Minnesota até Iowa para criticar os imigrantes.