Reforma imigratória enfrenta problemas na Câmara de Deputados

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O deputado Raúl Labrador teria se retirado da mesa de negociações que discute a proposta da reforma imigratória

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Deputado Raúl Labrador

Os esforços bipartidários para redigir um plano de reforma imigratória na Câmara de Deputados entraram em crise, mas os legisladores se recusaram a fazer declarações sobre o tema, citando seu acordo prévio de não comentar as negociações.

Apesar disto, fontes próximas ao grupo dos oito legisladores que redigem o anteprojeto, insistiram que hoje (6) se reúnem como o programado e que a versão do colapso negociador é prematura.

O impedimento estaria na exigência dos republicanos de que os indocumentados que se qualifiquem para o caminho para a cidadania não possam ter acesso a nenhum tipo de assistência médica pelo menos durante 15 anos. Os democratas não aceitam esta exigência.

Fontes do grupo bipartidário dos oito legisladores que redigem o anteprojeto (quatro democratas e quatro republicanos) confirmaram à ABC News a interrupção das negociações. Os democratas sustentam que os imigrantes que forem legalizados pagarão impostos e deveriam ter direito a receber benefícios.

Sobre o tema, a Reuters divulgou que democratas e republicanos do grupo que escreve o anteprojeto chegaram a um acordo depois das discussões e teriam encontrado um caminho para continuar as conversações.

Labrador não aceita

Segundo as fontes, o representante republicano Raúl Labrador teria sido o único membro do grupo dos oito da Câmara que não teria concordado.

A ameaça de estancamento das negociações seria um duro golpe para os defensores dos direitos dos imigrantes e da reforma imigratória, e para os 11 milhões de indocumentados que há anos aguardam uma via para sair das sombras e legalizar suas permanências nos Estados Unidos.

A ABC News disse ainda que o colapso nas negociações bipartidárias comprometeria o tema da reforma imigratória em várias iniciativas e não incluiria a via da legalização para os indocumentados.

A preocupante notícia do colapso surgiu quando o senador Marco Rubio (republicano da Flórida), um dos integrantes do Grupo dos Oito que redigiu o plano que o Senado debaterá a partir de 10 de junho, e outros senadores se reuniram com legisladores da Câmara de Deputados para trocar ideias sobre como obter um apoio republicano mais amplo para a reforma. “Quero aprovar uma lei, não quero simplesmente aprovar uma proposta do Senado com quatro republicanos e a maioria dos democratas, porque não passará na Câmara”, disse Rubio.

Enquanto a reforma imigratória breca na Câmara, no Senado prosseguem os esforços para conseguir os 60 votos necessários para aprovar o anteprojeto enviado em maio pelo Comitê Judiciário e que inclui uma via de legalização para milhões de indocumentados.

Na semana passada, o líder do Senado, Harry Reid (democrata de Nevada), disse que o plano do Grupo tem 56 votos assegurados e falta apenas terminar de convencer quatro republicanos. “É muito factível” e será “fácil de chegar” aos 60 votos necessários para que o plenário aprove sem contratempos o projeto de reforma imigratória S. 744 elaborado pelo Grupo dos Oito, confirmou o gabinete de Reid.

“Mais de 90% dos democratas votarão a favor” do plano, garantiu José Parra, porta-voz de Reid. “Temos 56 votos (incluindo os quatro senadores republicanos do Grupo dos Oito e dois independentes) e precisamos de outros quatro votos republicanos”.

Os democratas controlam o Senado com 53 votos mais o apoio de dois independentes; os republicanos somam 45.
O plano do Senado

Entre outros requisitos, o plano do Senado favorece estrangeiros sem papéis que estão no país de maneira ininterrupta antes de 31 de dezembro de 2011, carecem de antecedentes criminais, pagam impostos, entreguem suas impressões digitais ao Departamento de Segurança Nacional (DHS) e paguem multas.

Os que se qualificarem entrarão em um Status Provisório de Não Imigrante (RPI) por um período de 10 anos ao fim do qual poderão pedir a residência permanente e depois de três anos fazer o processo para a cidadania.

Os chamados Dreamers e os trabalhadores agrícolas esperarão menos tempo.

O debate no Senado começará em 10 de junho.

O Senador Rubio disse estar otimista de que a reforma imigratória será aprovada no Congresso este ano.