Reforma imigratória fica em segundo plano

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Os milhões de indocumentados continuarão esperando em 2012 uma via para se legalizar nos EUA

Imigrantes e ativistas nos Estados Unidos se concentrarão em 2012 em evitar que mais estados do país aprovem duras leis imigratórias que têm prejudicado a vida dos indocumentados.

A prometida reforma imigratória do presidente Barack Obama, que lhe valeu o apoio hispânico nas eleições passadas, parece agora ter virado fumaça. Tanto as organizações de defesa de imigrantes como o governo Obama consideram improvável sua aprovação antes de novembro de 2012.

Assim os esforços se concentrarão em impedir que se propague pelo país a tendência de impor rigorosas legislações a nível estadual que estão causando estragos, não só a nível social entre os imigrantes como também na economia.

Ativistas como Sarahi Uribe, coordenadora de campanha para a Rede Nacional de Organização de Boias Frias (NDLON) sabem que as “esperanças para uma reforma imigratória a nível federal não existem porque agora realmente não temos os votos. Não há suficientes democratas nem republicanos com vontade de aprová-la”. E acrescentou: “Tampouco ocorrerá nos próximos anos. Por isto, estamos enfocando nas batalhas locais”.

A diretora do Centro Nacional de Lei de Imigração, com sede em Los Angeles, Marielena Hincapié, concordou que “o clima político não parece estar aberto a um projeto federal de lei imigratória. Os republicanos não vão querer dar a Obama esta vitória”.

O panorama está pintado pelo alto número de deportações da história, que reflete uma perseguição aos imigrantes como poucas vezes se viu e com isto proliferaram histórias de distanciamento entre familiares e separação.

Com esta conjuntura, a reforma imigratória foi substituída por debates sobre o papel desempenhado pelos estados e departamentos de polícia locais nas políticas de imigração e sobre se a autoridade segue a diretriz do Departamento de Segurança Interna (DHS) de deportar especialmente quem representa um perigo para a segurança.

Corrida contra o tempo

Os ativistas lutam para contestar os efeitos dessas medidas estaduais e desincentivá-las.

Por exemplo, Elena Lacayo, coordenadora de Imigração para o Conselho Nacional de la Raza, destacou que no Alabama “os agricultores não querem semear porque não sabem quem poderá fazer a colheita”. Para realizar este trabalho contratam estrangeiros que muitas vezes residem ilegalmente no país.

O Conselho de Empresários Agrários da Geórgia calculou que a falta de mão de obra nas granjas do estado provocou perdas de 300 milhões de dólares e podem subir até 1 bilhão de dólares se não for revertida a escassez de trabalhadores causada pelo êxodo deflagrado pela imposição de uma rigorosa legislação imigratória.

A segurança pública será afetada também por estas leis, previu Lacayo, uma vez que os imigrantes não reportarão os crimes mesmo que sejam vítimas ou testemunhas deles.

Organizações como a União Americana de Liberdades Civis concentrarão seus esforços em 2012 em lutar contra as iniciativas estaduais. “O que faremos será mudar os ‘Alabamas’ e outros estados antes de nos dedicarmos a nível federal”, disse Hincapié.

Carolina do Sul será cenário da luta, pois está programada para 1º de janeiro a entrada em vigor de uma lei que outorga à polícia o poder de exercer políticas imigratórias federais. Processos contra o estado tentam frear a normatização.

Revogação das provisões

O Conselho Nacional de la Raza, outra organização com histórica participação a favor dos imigrantes, prepara-se para pedir nos próximos meses que o governador do Alabama revoguem as duras provisões contidas em uma lei de imigração estadual. A organização trabalhará junto ao Hispanic Interest Coalition of Alabama na campanha “Uma família. Um Alabama”.

Outros ativistas preparam alianças com grupos empresariais que denunciam o impacto econômico destas leis; ao mesmo tempo em que também haverá organizações dedicadas a fortalecer a participação eleitoral dos hispânicos para ter voz na formação dos governos a nível local.

Promover legislações mais positivas para imigrantes, como as leis estaduais Dream Act que permitem a estudantes indocumentados ter acesso à universidade, também figura nos planos dos grupos pró-imigração. “Nossa luta não será só defensiva. Tentaremos ser ativos na ofensiva”, afirmou Katherine Vargas, porta-voz do Fórum Nacional de Imigração.

Mas também estão mobilizando-se grupos como a Federação Americana para uma Reforma Imigratória (FAIR) que tem mantido sua posição a favor de negar emprego aos imigrantes não autorizados para viver nos Estados Unidos.

Jack Martin, porta-voz da FAIR, assegurou que a organização continuará assessorando os estados que considerem impulsionar medidas “para frear a chegada de novos indocumentados; medidas similares à lei do Arizona adotada em 2007”.

“Temos de nosso lado a opinião pública que está a favor das medidas rigorosas contra a imigração ilegal e a favor de uma redução na imigração legal”, garantiu Martin.