Reforma imigratória já começou.E agora, o que devemos fazer?

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Jogo duro contra indocumentados será mantido para satisfazer os conservadores

A reunião de 25 de junho entre o presidente Barack Obama e um grupo de legisladores democratas e republicanos – que marcou o começo do possível debate sobre a reforma imigratória – despertou interesse em diversos setores nacionais, principalmente naqueles que respaldam a legalização de milhões de indocumentados. Mas há também nervosismo e inquietude porque, asseguram, a batalha ainda não começou e é provável que se estenda até o outono de 2010.

“Sabemos muito bem que o debate precisa começar este ano”, disse Angélica Salas, diretora executiva da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes (CHIRLA). “O processo será longo e, se tudo correr bem, se estenderá até depois da primavera do próximo ano”.

Assim como outras organizações nacionais, a CHIRLA comemorou o encontro, avalizou os resultados preliminares e os anúncios imediatos feitos pelos participantes do encontro, mas advertiu que o debate deve começar ainda no início do outono. “É preciso arrancar este ano. Tanto a Casa Branca como o Congresso não fixaram datas, mas, se houver atraso no início, o processo se prolongará”, comentou Angélica.

Embora não se conheça um projeto de lei da reforma imigratória, nem se todos os indocumentados serão legalizados ou se o plano contemplado pela Casa Branca focará principalmente na segurança ou nos trabalhadores temporários, para Eliseo Medina, vice-presidente do Sindicato Internacional de Empregados e Serviços (SEIU), o sucesso não depende cem por cento dos democratas no Congresso. “Nunca esperamos isto. O que precisamos é de uma grande maioria democrata e uma pequena minoria republicana para conseguir aprovar a reforma imigratória”, disse.

E acrescentou: “Ao final da reunião de 25 de junho, gerou-se bastante ânimo. Estamos num bom momento. Todos se comprometeram com a reforma, inclusive os republicanos. Vamos continuar pressionando para que se aprove em 2009”.

Campanha nacional

Para o National Forum Immigration (NFI), o panorama a curto prazo é bom. “Na reunião de 25 de junho ocorreram duas coisas específicas”, disse Katherine Vargas, porta-voz da organização em Washington. “O presidente Obama nomeou uma equipe de trabalho encabeçada pela secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, e este grupo começará a delinear o perfil de uma reforma imigratória ampla”.
Katherine Vargas disse ser importante assinalar que com este passo a responsabilidade da reforma imigratória “não recai totalmente no Congresso, mas também no governo” e espera que esta nova instância elabore um “plano de ação”.

Sobre uma provável data de aprovação da reforma, ela disse que o NFI tem consciência de que o debate se iniciará em 2009, “mas deverá ser aprovado antes de 2010”. E insistiu ainda na continuação de uma campanha nacional de ligações para a Casa Branca e para o Congresso “para pressionar o presidente e as câmaras para que debatam e aprovem uma lei que garanta a regularização de milhões de indocumentados” que vivem no país.

‘Reform Immigration FOR America’

Mais de 400 grupos nacionais (organizações religiosas, sindicatos, ativistas de grupos sem fins lucrativos, grupos defensores dos direitos civis e dos direitos humanos, entre outros) integram a chamada ‘Reform Immigration FOR America’ ou ‘Reforma Imigratória PRO América’, cujo objetivo é inundar a Casa Branca e o Congresso com mensagens de apoio à reforma imigratória justa e humana, confirmaram seus organizadores.

Proposta ideal

Com a esperança de que o encontro Obama e legisladores não tenha sido uma simples reunião ou declarações para sair de um compromisso político, ativistas em Miami acreditam que o tema da reforma imigratória será resolvido adequadamente no decorrer de 2009.

“Demos ao presidente o benefício da dúvida”, disse José Lagos, da Unidade Hondurenha. “Mas não vamos ficar de braços cruzados. Estamos ligando e pedindo às pessoas que liguem para a Casa Branca e para o Congresso para ganhar esta guerra contra os grupos anti-imigrantes que estão fazendo o mesmo, como fizeram em anos anteriores.”

John Podesta, presidente do Center for American Progress, reiterou que a reforma imigratória é uma peça central do quebra-cabeças e afeta quase todo o desafio político enfrentado pela nação, e lembrou que os americanos “querem soluções realistas e de sentido comum que avancem nossa recuperação econômica com o aumento de receitas de impostos, apliquem padrões trabalhistas, aumentem salários e proponham uma justa concorrência entre todos os trabalhadores”.