Reforma imigratória, uma luta de todos

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*Jonathan Rodrigues

Gostaria de esclarecer algumas coisas porque sei que muitas vezes nossa comunidade é pouco informada ou desinformada sobre os acontecimentos em torno da reforma imigratória esse ano. Às vezes existe uma euforia, um otimismo de “já ganhou” que venho sentindo desde o começo do ano. Peço que orem muito por uma reforma justa e digna para o nosso povo imigrante.

A política por trás. A reforma é algo tão popular, que tem o unânime apoio e o lobby dos sindicatos e das grandes multinacionais, de associações de sheriffs e universidades, da igreja católica e de associações evangélicas nacionais e, o mais importante, o apoio de 74% da população americana. Nunca houve uma coalizão tão grande e diversa como essa em apoio à reforma imigratória.

O deputado Luis Gutierrez de Chicago, que tem lutado arduamente pela reforma por anos e anos, disse recentemente que conhece entre 40 e 50 republicanos que votariam a favor. Este número somado aos 200 democratas na Câmara facilmente daria uma maioria (de 218 votos). Então por que não passaram a lei aprovada no Senado?

O líder da Câmara, o deputado republicano John Boehner, disse que não deixará nenhuma legislação vir a ser votada na Câmara sem a maioria da maioria a favor. Ou seja, a minoria, já que os republicanos controlam 235 votos dos 435 votos. Isso não é democrático, isso não é certo de jeito nenhum. Mas, ele bem sabe que se não fizer isso o seu posto de líder da Camara seria ameaçado por uma minoria racista e xenofóbica do partido.

Duas forças opostas lutam contra si em um só partido. Os senadores republicanos querem algo, pois sabem que sem legislação o Partido Republicano deixará de existir antes do fim da década como um partido nacional, sem chance de controlar o Senado, muito menos a Presidência. Os parlamentares da Câmara de Deputados estão em distritos desenhados por políticos do legislativo estadual a cada década depois da realização do Censo – o chamado “gerrymandering”– e são determinados propriamente para se protegerem de ameaças do outro partido. Distritos republicanos raramente têm grandes números de imigrantes ou latinos. Somente 6% dos distritos nacionais na Câmara são realmente “swing”, ou estatisticamente metade-metade em termos de residentes registrados republicanos e democratas. No mais, como estratégia política, demonizar imigrantes e latinos nos últimos 25 anos tem funcionado bem para republicanos no sul e sudoeste do país.

E eis a situação em que estamos. No início do ano, diria que a reforma seria uma questão de tempo, mais de 90% de chance de passar tranquilo. Mas a cada dia há indicações de que os republicanos da Câmara realmente são teimosos o suficiente para não fazerem nada, e não se importam com o futuro do próprio partido. Na última semana, as declarações do deputado republicano Bob Goodlatte, que controla o poderoso Comitê Judiciário da Câmara (um dos comitês em que uma proposta de lei tem necessariamente de passar), disse que não aceitaria qualquer proposta que possibilitaria um caminho à cidadania para imigrantes indocumentados.

Digo isso, não para amendrontrar ninguém. Mas para ligar o sinal de alerta. Nossa comunidade tem que se mover. Faça algo, qualquer coisa, não importa o seu status legal. Nós estamos em um ponto crítico como comunidade brasileira nos EUA. Temos de decidir. Vamos ser brasileiros que vivem nos EUA sempre com um pé no Brasil? Ou vamos ser brasileiros lutando pela vida da nossa comunidade, para melhorar nossas vidas aqui? Não adianta esperar os hispânicos fazer tudo por nós. Tenho orgulho de ser parte dessa primeira geração brasileira-americana, e sei da generosidade e da capacidade da nossa comunidade nos EUA quando ela quer. Encorajo todos a fazerem algo pela comunidade. Batalhas sociais nunca foram ganhas sem mobilização. Lembrei-me muito bem disto no aniversário de 50 anos do movimento pelos direitos civis de Martin Luther King.

Se você vive no sul da Flórida provavelmente não é representado por um republicano contra a reforma. Em Miami, os deputados republicanos Mario Diaz-Balart e Ileana Ros-Lehtinen estão em apoio e lutam contra a maré dentro do partido. Aqui, na nossa região de Broward e Palm Beach, os deputados democratas Alcee Hastings, Ted Deutsch e Lois Frankel engajaram-se abertamente em apoio pela reforma. Mas nós temos um senador que representa todos e que tem muito poder dentro do Partido Republicano, o senador Marco Rubio.

Uma coisa simples, mas efetiva, seria agradecê-lo por seu apoio, mas tambem pedir que ele interceda junto aos seus colegas na Câmara.

Ele pode e deve. Aqui está um roteiro do que deve ser lido e o número do gabinete dele. Ligue para (305) 418-8553 e diga:

Hi my name is _____.

I want to thank Senator Rubio for his support in the Senate for immigration reform this year. I ask that he strongly encourages his colleagues in the House to support immigration reform with a pathway to citizenship this year,
Thank you.


*Jonathan Rodrigues é cientista social e ativista político