Relatório revela prejuízo das batidas

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Comissão oficial denuncia abusos e alerta para as consequências nefastas destas ações

A Comissão Nacional encarregada de analisar o impacto das batidas nos locais de trabalho de milhares de imigrantes em todo o país recomendou ao governo uma série de medidas entre as quais se destaca uma reforma imigratória que abra o caminho para a legalização dos 12 milhões de indocumentados que residem no país.

O relatório divulgado pelo grupo de trabalho desnudou uma série de abusos dos direitos trabalhistas de centenas de detidos em constantes procedimentos realizados durante a administração do presidente George W. Bush.

A Comissão Nacional foi integrada por analistas, professores universitários e representantes de diversas áreas que se relacionam com os imigrantes trabalhadores nos Estados Unidos e seus direitos, tanto no âmbito trabalhista como no imigratório.

Participaram do trabalho, entre outros, Joseph Hansen, presidente do Sindicato de Trabalhadores de Comércio dos Estados Unidos; Bill Ong Hing, professor de leis e estudos asiáticos na Universidade de Califórnia em Davis, e Susan Gzesh, diretora do programa de Direitos Humanos da Universidade de Chicago e advogada de imigração. O título do relatório é “Batidas de trabalhadores: Destruindo nossos direitos”.

No entender da Comissão Nacional, ficou documentada “a devastação e a destruição que as batidas de imigração causaram nas famílias, nos locais de trabalho e nas comunidades em todo o país”. Trata-se da finalização da pesquisa de um ano que incluiu audiências regionais, entrevistas com vítimas e uma exaustiva análise das práticas de detenção da Imigração durante o governo Bush.

O relatório revela “um padrão problemático de abuso sistemático dos direitos dos trabalhadores durante as detenções, incluindo batidas na JBS-Swift, Michael Bianco e Agriprocessors, e revela as duras consequências dos danos causados nas comunidades de trabalhadores”. E estes abusos foram bem além do estado legal dos trabalhadores pois afetaram até mesmo os cidadãos nascidos aqui.

Segundo o testemunho de um dos entrevistados no relatório, que ofereceu detalhes da batida na fábrica da Swift, em Marshalltown, Iowa, em dezembro de 2006, ele ficou detido ali por oito horas, sem motivo, sem uma causa. “Foi como nossa fábrica se convertesse num campo de concentração. Sou cidadão americano, nascido e criado neste país. E fui tratado como um criminoso durante um dia normal de meu trabalho”, lamentou.

RECOMENDAÇÕES

O relatório oficial detectou as seguintes violações nas batidas:

Cidadãos e residentes legais foram detidos durante horas mesmo que tenham demonstrado seu status imigratório.
Falta de coordenação entre o ICE (agência de prisões e deportações de Imigração) e as repartições sociais e de Trabalho a nível estadual e local.
Uso de práticas inconstitucionais, como tapas ‘não razoáveis’ e apropriação de materiais.
Incidentes de assédio baseados na questão racial.
Consequências nefastas nas famílias e filhos das pessoas indocumentadas presas nas batidas nos locais de trabalho.
Profundas feridas psicológicas nas comunidades onde ocorreram as batidas imigratórias.
O bispo de Orlando, Flórida, Thomas Wenski, disse: “As batidas têm vitimado tanto residentes como cidadãos. A característica voraz destas batidas é dificultar o acesso à representação legal dos detidos”.