Histórico

Religiosos refutam leis anti-imigrantes

Grupos de várias religiões unem-se para barrar medidas antipáticas aos indocumentados e impulsionam a aprovação de uma lei imigratória justa e humana

Líderes religiosos tentam frear a aprovação de medidas contra imigrantes indocumentados que prefeituras locais de várias comunidades pretendem agilizar, e posicionam-se totalmente favoráveis à luta por uma reforma imigratória justa e humana.

De vigílias a demandas legais vários são os recursos aos quais religiosos de diversas denominações recorrem para impulsionar o que consideram ser uma “luta justa” para defender os imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Para o bispo católico de Orlando, Thomas Wenski, famoso por sua luta a favor dos imigrantes, os governos locais estão passando dos limites ao aprovar leis que procuram regulamentar a imigração. “A legislação sobre imigração pertence ao âmbito do governo federal – não às autoridades locais ou estaduais – e estas leis devem e serão desafiadas constitucionalmente”, declarou Wenski, que preside o Comitê de Política Internacional da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB).

Hazelton, na Pensilvânia, e Riverside, em New Jersey, aprovaram recentemente medidas que penalizam aqueles empregadores que contratem imigrantes indocumentados e os proprietários que alugarem casas.

“Relações tensas” – De acordo con Wenski, este tipo de medida mais prejudica a comunidade do que ajuda. “Como temos visto em outros locais, este tipo de medida gera ‘calor’, mas pouca luz, tensionam as relações na comunidade e agravam tensões existentes. Isto, em vez de ajudar os recém-chegados, inclusive os legais, prejudica a integração à sociedade”, disse o bispo.

Para o religioso, que lidera uma campanha nacional da Igreja Católica que advoga uma reforma imigratória ampla e humana, a solução para a imigração ilegal não está em “castigar” os indocumentados. “Devemos dar um rosto humano à imigração ‘ilegal’ para que todos entendam que esta gente (imigrantes indocumentados) quer apenas trabalhar pesado para ajudar suas famílias e não estão quebrando as leis, mas, na verdade, estão sendo ‘quebrados’ por elas”, assinalou o prelado.

O bispo insiste em uma reforma imigratória justa, que inclua uma via para legalizar os indocumentados que estão dentro dos Estados Unidos. Exige, ainda, um aumento na quota de vistos para reunir membros de uma mesma família e um programa de trabalhadores temporários que responda à demanda do mercado.

Ministros cristãos somam-se à luta – A Coalizão Nacional Latina de Líderes e Ministros Cristãos (CONLAMIC) também deu um passo à frente em defesa dos imigrantes indocumentados ao entrar com uma demanda judicial, há pouco mais de uma semana, contra a cidade de Riverside por adotar uma medida que a entidade religiosa considera “discriminatória”.

“Esperamos que esta demanda ajude a estabelecer um precedente legal que suspenda outras propostas similares, mas estamos preparados com nossos advogados para ir estado por estado defender nossos irmãos latinos contra estas medidas discriminatórias”, disse o reverendo Miguel Rivera, presidente da organização que agrupa mais de 15 mil igrejas nos Estados Unidos.

Não ao ódio racial – O líder religioso destacou o papel de “defensores” dos indocumentados que devem desempenhar organizações como a sua diante do que considera “ataques racistas” de grupos anti-imigrantes. “Este tipo de medidas que estão sendo adotadas em cidades como Hazelton, Riverside e agora Palm Bay só demonstram a ignorância e o ódio racial das pessoas que as defendem e, na maioria dos casos, somos a única defesa com a qual contam nossos irmãos indocumentados”, afirmou.

De acordo com o religioso, pelo menos 38 por cento dos membros das congregações da CONLAMIC e 17 por cento dos pastores da associação são indocumentados.

Além dos esforços levados a cabo localmente, o grupo procura influir nol debate imigratório mediante uma campanha com a qual buscam refutar os congressistas que votaram a favor da lei Sensenbrener, conhecida como HR 4437 e aprovada pela Câmara de Deputados no dia 16 de dezembro.

Detalhes da HR 4437 – Entre outras medidas, a versão recomenda criminalizar a permanência ilegal, acelerar as deportações, cancelar o sorteio da Loteria de Vistos e castigar aqueles que ajudem ou dêem trabalho a um indocumentado.

A Lei Sensenbrenner também inclui a construção de um novo muro na fronteira com o México e a construção de novas cadeias para alojar os indocumentados que forem presos pelas autoridades.

“Identificamos todos os congressistas que votaram a favor desta lei e estabelecemos uma batalha contra estas pessoas ao convencer nossos irmâos latinos a votarem contra eles, porque nenhum deles merece ser nosso deputado”, criticou Rivera.