Republicanos buscam inspiração na era Reagan

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Depois do abalo “sísmico” sofrido nas eleições parlamentares desta semana nos EUA, alguns republicanos estão buscando inspiração nos gloriosos dias do governo Ronald Reagan (1981-89).

“Estamos ao relento porque abandonamos os princípios limitados de governo que cunharam o Congresso republicano”, escreveu o deputado Mike Pence a colegas de bancada depois da “surra” eleitoral dada pelos democratas na terça-feira.

O deputado, uma importante voz da ala conservadora da Câmara, disputa uma posição de liderança no partido e para isso se apresenta como “uma voz crível e persuasiva pela agenda de Reagan”.

“É hora de voltar aos ideais que nos levaram para uma maioria governante”, disse John Shadegg, citando o Contrato com a América, um manifesto feito em 1994 por herdeiros políticos de Reagan. Shadegg também disputa uma posição de liderança na bancada republicana.

Nessa disputa pelas lideranças republicanas, os temas dominantes são disciplina fiscal, redução de impostos e pureza conservadora. Não se fala muito no Iraque ou em política externa.

Até agora, nenhum republicano moderado se aventurou na disputa pela liderança, e Deborah Pryce, que fazia parte do grupo de líderes, anunciou seu afastamento após quase perder a reeleição para deputada.

Mas há alguns moderados republicanos se manifestando, pedindo ao partido que se desloque da direita para o centro, onde, segundo as urnas desta semana, a maioria do eleitorado se sente mais confortável.

O deputado Mike Castle, um dos republicanos centristas mais respeitados, disse que os eleitores deram um recado a respeito do Iraque, da ética e do governo Bush. Os republicanos deveriam ver essa eleição como uma “perturbação sísmica”, segundo ele.

“Não sei se nada disso se resolve voltando a Ronald Reagan”, disse ele, para quem a bancada deveria se dedicar a questões como combate a tráficos de influência, meio ambiente, energia, educação e gastos públicos. “Não acho que precisemos de muito mais votos por causa das chamadas questões sociais conservadoras.”

Mas Joe Barton, que também pode ser candidato à liderança, acha que o partido não é tão direitista assim. “Nosso partido não sofre da aflição de ser uma fervilhante e louca coleção de interesses marginais, com noções tão tortas que `…` fazem os norte-americanos médios se encolherem. Os republicanos nunca serão isso.”

Muitos democratas que estão chegando ao Congresso se identificam como centristas ou moderados, e por isso será difícil atribuir a qualquer dos partidos o rótulo de “marginal”, mesmo que os republicanos se refiram pejorativamente à futura presidente da Câmara, Nancy Pelosi, como “liberal `esquerdista` de San Francisco”.

Muitos recém-eleitos são conservadores em questões sociais, como porte de armas e aborto, e rígidos em questões orçamentárias, mas em sincronia com a agenda do partido, que prevê elevação do salário mínimo, redução dos custos universitários, mais acesso a planos de saúde e desenvolvimento de energias alternativas.

Para o republicano Roy Blunt, há um consolo na eleição. “Atrás de cada uma dessas derrotas estava uma oportunidade de voltar mais focado, mais dedicado, mais comprometido, comunicando-se melhor e entendendo os conservadores melhor do que antes.”