Retrospectiva 2009: Expectativa, decepção e, no final do ano, a esperança de sempre

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Indocumentados, frustrados com promessa de Obama, aguardam com ansiedade pelos debates de mais um projeto de reforma da imigração

Os mais de 12 milhões de imigrantes que vivem em situação irregular nos Estados Unidos tiveram sentimentos bem distintos em 2009. O ano começou com a expectativa no compromisso feito pelo presidente Barack Obama, de que ele trataria da legalização dos indocumentados ainda no seu primeiro ano de mandato. No entanto, depois de seis meses de administração, mergulhado na crise econômica e necessitando de apoio parlamentar para a aprovação de mudanças na área de saúde, Obama admitiu que seria impossível cumprir a promessa de abrir o caminho para uma reforma ampla com o objetivo garantir a cidadania a essa parcela grande da população. No final, restou a esperança em um novo projeto apresentado no Congresso pelo deputado democrata Luis Gutierrez.

A gestão do novo presidente começou até bem: Obama escolheu para dirigir o Departamento de Segurança Nacional (Homeland Security) uma ex-governadora do Arizona, estado fronteiriço com o México. Por sua experiência no tema de imigração e por suas posições sempre favoráveis à legalização dos indocumentados, Janet Napolitano representou o mais forte indicativo de que uma reforma estava a caminho: “Não vamos ignorar a necessidade de mudanças na lei de imigração e, conforme promessa do nosso presidente, isso será feito ainda este ano”, garantiu Napolitano, numa de suas primeiras entrevistas no cargo.

No entanto, com o passar dos meses e com a pressão republicana no Congresso cada vez mais forte, o Departamento de Segurança Interna focou suas ações no reforço policial na fronteira e nas ações legais contra indocumentados com antecedentes criminais e empregadores que se beneficiam da mão de obra formada por imigrantes em situação ilegal. É bem verdade que, apesar dos boatos, não houve batidas aleatórias contra estrangeiros – muito pelo contrário, um fato ocorrido em abril reforçou a mudança de tratamento na nova administração: depois da prisão de 28 trabalhadores indocumentados de uma retífica de motores no estado de Washington por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement), alguns deles, que tinham a ficha limpa, foram liberados e encaminhados para receber uma autorização de trabalho temporário. “O foco de nossas operações devem ser os empregadores que intencionalmente exploram os indocumentados”, justificou a toda-poderosa do DHS. Mas a reforma para os mais de doze milhões que vivem à sombra da sociedade não veio.
Até que, no apagar das luzes de 2009, o deputado democrata Luis Gutierrez, de Illinois, cumprindo o que havia prometido, apresentou no dia 15 de dezembro, na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, o chamado ‘Comprehensive Immigration Reform for America’s Security and Prosperity Act of 2009 (CIR ASAP)’, com 300 páginas, que trata, entre outros assuntos, da abertura de uma via de legalização em até seis anos para os estrangeiros em situação irregular na América.“O objetivo é reunificar famílias de imigrantes através do green card”, esclareceu Gutierrez, que há muitos anos vem lutando pela reforma da imigração.

Para os advogados especializados na matéria, essa foi a melhor notícia do ano. “Trata-se de um presente de Natal para aqueles que estão esperando pacientemente por algum sinal positivo de mudança na atual lei de imigração. Apesar de ser apenas um projeto e que certamente vai deflagrar opiniões contrárias, especialmente da direita conservadora, mostra que há verdadeiros líderes no Congresso que apoiam a causa que busca reunir as famílias e dar tratamento digno e justo aos indocumentados. Estou certa de que estamos próximos do dia em milhões de imigrantes vão deixar o anonimato”, opinou a advogada Liliana Jurada.