Retrospectiva 2009: O ano da maior fraude da história e de tensão na economia

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Madoff foi condenado a 150 anos de prisão por comandar esquema de 65 bilhões de dólares

Retrato da crise financeira internacional que teve início em 2008 e consequências graves em 2009, o gestor de fundos americano Bernard Madoff foi condenado a 150 anos de prisão por um tribunal de Nova York em junho. Ele confessou comandar um esquema que lesou mais de 65 bilhões de dólares de seus clientes, por quase duas décadas. Ao anunciar a sentença, o juiz Denny Chin avisou que a punição exemplar serviria para mostrar que a manipulação do sistema não compensa.

“Terei que viver com este sofrimento pelo resto da vida. Peço desculpas às minhas vítimas. Lamento muito”, declarou Madoff, que teve seus bens confiscados, entre eles uma mansão na Flórida e um iate que ficava ancorado no Porto de Palm Beach. Um dos parceiros do financista, o francês Thierry de la Villehuchet, fundador da Access International, empresa que arrecadou dinheiro na Europa para investimentos com Madoff, se suicidou; outras vítimas do esquema foram o ator Kevin Bacon, o diretor de cinema Steven Spielberg e o apresentador da CNN Larry King.

Crise das seguradoras

Em 2009 também foi registrado o mais baixo índice do Dow Jones, que derrubou as bolsas de valores em todo o mundo. A causa foi o anúncio de que a AIG, a maior seguradora dos Estados Unidos, havia acumulado um prejuízo recorde de 61 bilhões de dólares, causado pela crise financeira mundial de 2008. Logo em seguida, o G-20, grupo dos países mais ricos do mundo, decidiu injetar um trilhão de dólares na economia mundial para combater a crise financeira global.

A medida, porém, não foi suficiente para evitar o pedido de concordata da General Motors, que foi encampada pelos governos dos Estados Unidos e Canadá. A GM, símbolo empresarial da maior potência econômica, foi o retrato da indústria automobilística nos Estados Unidos num ano de extrema dificuldade para o setor. No final do ano, outro emblema do poderio econômico, a próspera Dubai, nos Emirados Árabes, acusou um golpe: o maior conglomerado do país sinalizou um calote à sua dívida bilionária por causa da queda nos investimentos.

Agora, é seguro afirmar que o período mais crítico da turbulência já passou e as economias, que enfrentaram meses de recessão, caminham para a retomada do crescimento, graças a pacotes econômicos de estímulo em vários países. A luta agora é contra o desemprego, que atingiu níveis recorde, por exemplo, nos Estados Unidos, com mais de 10% da força de trabalho inativa. O Brasil conseguiu amenizar os efeitos da crise, mas os problemas não se resumiram à uma “marola”, como disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – quase um milhão de empregos formais foram perdidos e o país entrou na chamada recessão técnica (duas quedas consecutivas do PIB).