Rio de Janeiro vive guerra não declarada, diz NYT

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Colunista do jornal americano diz que guerra na cidade pode parecer invisível

O Rio de Janeiro vive uma guerra não declarada, afirma coluna do jornalista Roger Cohen publicada nesta quarta-feira (dia 10 de janeiro) pelo jornal The New York Times, citando as 18.920 mortes pela violência entre o início de 2004 e outubro de 2006, segundo os dados oficiais.
Comparando a violência no Rio de Janeiro com crises vividas em outras cidades do mundo, Cohen afirma que, “você pode olhar para esses números de diversas maneiras: como mais de seis vezes o número de americanos mortos no Iraque desde 2003; como cerca de metade das estimadas 36 mil pessoas mortas anualmente por armas de fogo em todo o Brasil; ou como uma conseqüência da combinação da extrema riqueza com a extrema pobreza em uma área metropolitana mal policiada de 11 milhões de pessoas, tomada pela cocaína e por outras drogas”.
O texto de Cohen cita uma frase do músico Tom Jobim para dizer que “o Brasil não é para principiantes”. No texto, Cohen afirma que o País “não é o que parece. Há guerras e guerras. Esta pode parecer quase invisível”.
“Mais de 18 mil mortes violentas em menos de três anos é bastante. Se fosse em Bagdá, as pessoas estariam falando sobre isso. Mas a atenção do mundo é algo caprichoso”, aponta a coluna.
Cohen, que também é colunista do jornal The International Herald Tribune, conclui que “os trópicos são tranqüilizadores. O sol brilha, o ritmo da bossa nova seduz, velhos hábitos mostram-se difíceis de romper. A garota de Jobim segue passando e o sangue é esquecido novamente”.