Senado e Câmara harmonizam conteúdo do plano de estímulo econômic

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Parlamentares acreditam que pacote de 789 bilhões deve gerar 3,5 milhões de empregos

Pelo menos na visão do democrata Harry Reid, líder da maioria no Senado, o acordo entre os deputados e senadores pela harmonização do pacote de estímulo econômico já foi alcançado. O parlamentar assegurou que as arestas foram aparadas e as diferenças sublimadas, “depois de que cada lado cedeu um pouco”, para que o texto final seja agora devolvido ao presidente Barack Obama, para sanção. Reid explicou que o valor definido do plano ficou em 789 milhões e deve gerar 3,5 milhões de novos empregos.

“No final das contas, o pacote vai ajudar a criar mais empregos do que o projeto do Senado pretendia, com menos dinheiro do que a Câmara de Representantes imaginou”, resumiu o líder da maioria. Nesse sentido, ele elogiou a atuação da presidente do Congresso americano, a também democrata Nancy Pelosi, que coordenou os debates. As negociações foram conduzidas durante todo a quarta-feira, em Washington DC.

O pacote prevê ajuda às vítimas da recessão através de benefícios para os desempregados, cobertura médica e subsídios alimentares, além de socorro aos estados, que têm feito cortes significativos em seus orçamentos. O texto final preserva também a promessa feita por Obama durante a campanha presidencial, de corte nos impostos, especialmente para pessoas das classes média e baixa.

O acordo só não foi anunciado com mais ênfase devido à ausência de Pelosi na coletiva de imprensa: ela não apareceu, gerando boatos de que estaria descontente com o resultado final do projeto ou mesmo porque ainda há pontos a serem discutidos. Um deles diz respeito à modernização das escolas públicas, que é uma de suas bandeiras. Além disso, o horário para votação final nas duas casas. Especialistas acreditam que isso deverá ocorrer ainda nesta quinta-feira, antes do feriado da semana que vem (President’s Day).

Negociações

As negociações no Congresso aconteceu após o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, anunciar um novo plano de socorro financeiro, que pode chegar a dois trilhões de dólares, para aumentar o volume de crédito para o consumidor e para empresas. Pelo novo projeto, segundo Geithner, um fundo público-privado terá de reconstruir um mercado para os ativos de risco que atualmente atrapalham o funcionamento de todo o sistema financeiro – como os ligados ao setor de hipotecas – e receberia pelo menos 500 bilhões de dólares do montante.

Mas engana-se que as medidas vão produzir efeitos imediatos: o assessor econômico da presidência, Lawrence Summers, previu que a recuperação da economia americana não deve começar antes de 2010.

Plano de Estabilização Financeira ainda gera dúvidas

Apesar do novo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ter apresentado um novo plano de socorro às instituições financeiras, ninguém nos Estados Unidos arrisca dizer do que se tratam as medidas e se elas surtirão o efeito desejado – e os mercados, com muitas dúvidas, apresentaram baixas logo depois da coletiva de imprensa de Geithner. Os especialistas, porém, apontam que há pontos positivos concretos no pacote:

Socorro aos bancos: O Congresso deu o aval para a utilização de mais 350 bilhões de dólares nos bancos. O mesmo foi feito no auge da crise, no ano passado, quando cerca de 300 instituições financeiras receberam mais de 335 bilhões para reforçar seus balanços.
Linha de crédito: O Tesouro vai “recauchutar” uma linha de financiamento criada há meses e ainda não utilizada para tentar aumentar o crédito ao consumo no país. Para isso, serão disponibilizados 100 bilhões de dólares em dinheiro público. Esse dinheiro pretende “alavancar” até um trilhão de dólares em novos empréstimos no sistema financeiro.

Socorro a mutuários: o plano inclui 50 bilhões de dólares para refinanciar dívidas de mutuários que estão na iminência de perder seus imóveis por causa de atrasos no pagamento de financiamentos.