Senado não consegue acordo sobre gasto nos EUA

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Tentaram resolver a crise, embora uma conversação no domingo não produziu uma solução imediata

Republicanos e democratas no Senado não conseguiram fechar acordos sobre o gasto em sua mais recente tentativa para evitar que o governo dos Estados Unidos descumpra o pagamento de suas dúvidas e acabar com o fechamento parcial do governo que está entrando em sua terceira semana.

Depois de uma série de conversas sem resultados entre o presidente Barack Obama e os republicanos da Câmara de Deputados, os líderes da maioria e da minoria no Senado, o democrata Harry Reid e o republicano Mitch McConnell (foto), respectivamente, tentaram resolver a crise, embora uma conversação na tarde do domingo (13) não produziu uma solução imediata.

“Os americanos querem que o Congresso chegue a um acordo”, disse Reid na abertura de uma rara sessão dominical no Senado, na qual pediu que fosse obtido um acordo de longo prazo sobre o orçamento.

Os dois cautelosos negociadores discutem a petição dos democratas para desfazer ou modificar os cortes generalizados ao gasto em programas domésticos e de defesa que os republicanos consideram cruciais para reduzir o déficit do país.

McConnell insistiu que a solução está ao alcance a partir da proposta feita por um grupo bipartidário de 12 senadores encabeçados pela republicana Susan Collins e pelo democrata Joe Manchin, que permitiria reabrir o gobierno, proporcionar fundos aos níveis atuais por seis meses e aumentar o limite de endividamento até 31 de janeiro.

“É momento de os líderes democratas darem um ‘sim’ como resposta”, disse McConnell em um comunicado.

Manifestam-se em Washington contra fechamento

O mais recente obstáculo surgiu quando foram cumpridos 13 dias do fechamento parcial das operações do governo federal que mantém fora de seus postos de trabalho 350 mil empregados, deixou milhares de outros trabalhando sem pagar e afetou praticamente tudo, desde os serviços aos veteranos de guerra até as inspeções ambientais, informa a agência de notícias Efe.

Muitos parques e monumentos continuam fechados, o que provocou protesto no Monumento da Segunda Guerra Mundial no domingo, no qual participaram os legisladores apoiados pelo Tea Party, que têm exigido sem sucesso que a reforma de saúde de Obama fique sem fundos como condição para reabrir o governo.

A possibilidade de os Estados Unidos descumprir suas dúvidas até 17 de outubro e o Congresso não autorizar o aumento do limite de endividamento acima de 16.7 bilhões de dólares inquieta as economias mundiais.

Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional falou com temor da incerteza e advertiu sobre o “risco de entrar outra vez em recessão” depois da recuperação irregular da crise de 2008.

Uma corrida contra o relógio

O Congresso está numa corrida contra o relógio para obter um acordo e enfrenta a possibilidade de serem usadas táticas protelatórias que possam atrasar a legislação, e a provável oposição da Câmara de maioria republicana antes de o projeto de lei ser enviado ao presidente.
Obama chamou por telefone no domingo a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e enfatizou a necessidade de se aumentar o limite de endividamento sem concessões, destacou a AP.

Espera-se que a reação desta segunda-feira (14) dos mercados financeiros mundiais e o índice Dow Jones tenham influência sobre as conversações no Congresso enquanto os republicanos arcam com a maior parte da culpa pelo fechamento do governo e pela suspensão das negociações.

“Os republicanos estão em queda livre, mas os democratas não estão muito longe”, disse o senador Lindsey Graham, que advertiu seus rivais a não tentar beneficiar-se do descrédito para obter concessões.

McConnell e os republicanos querem que o nível do gasto fique em 986.7 bilhões de dólares e deixar sem alterações a nova rodada de cortes automáticos, que reduziria o gasto a 967 bilhões.

Os democratas buscam uma maneira de desativar as reduções, além de uma extensão de longo prazo sobre o limite de endividamento e uma legislação de curto prazo que permita reabrir o governo.

“Os republicanos querem cortar os subsídios”, disse o democrata Chuck Schumer. “Os democratas querem uma mescla de cortes obrigatórios, redução de alguns subsídios e benefícios. Como resolver este dilema? Não vamos superá-lo nos próximos dois dias”.

O segundo democrata no ranking do Senado, Dick Durbin, disse à imprensa que as duas partes mantêm diferenças por uma quantia de 70 bilhões, resultante da diferença entre os 1.058 trilhão de orçamento que propõe o Senado e os 988 bilhões que estima o presidente do comitê de orçamento da Câmara, o republicano Paul Ryan.