Silair Almeida ainda acredita no futuro do Conselho de Representantes

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Desacreditada pela comunidade, entidade sofre desgaste por conta de diversas polêmicas envolvendo alguns de seus membros e a falta de coesão dentro do CRBE

DA REDAÇÃO

– O que está errado no CRBE (Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior) são alguns conselheiros.

A acusação é do conselheiro eleito Silair Almeida, um dos dois representantes titulares da Flórida, no CRBE. Ele defende a posição do governo brasileiro e acredita que a guerra de egos e a fogueira das vaidades de alguns membros que compõem o Conselho podem destruir algo que demorou cerca de dez anos para ser construído.

Na opinião de Silair Almeida, pastor da PIBFlórida, isto seria um retrocesso e um desserviço para a comunidade brasileira que vive no Exterior: “O governo foi compreensivo com nossas reivindicações e criou um instrumento para que tivéssemos um canal aberto com o Itamaraty, mas infelizmente as intrigas e as acusações podem colocar tudo a perder”.

O pior de tudo é que os grandes prejudicados são os próprios brasileiros, conforme frisou Silair. Ele afirmou que, desde o início, o CRBE foi uma entidade criada para servir como linha auxiliar do governo brasileiro e estaria vinculado ao Ministério das Relações Exteriores. “Isto consta do nosso regimento interno e dos nossos estatutos, portanto, todos os conselheiros estão (ou deveriam estar) cientes de suas atribuições e limitações”, afirmou o conselheiro da Flórida.

Isto é, há um conflito de posicionamento. Enquanto Silair Almeida e a maioria dos conselheiros defende a vinculação ao Itamaraty, Esther Sanches Naek e Ruy Martins, agora guindado à condição de conselheiro titular, querem que seja formada uma entidade sem nenhum tipo de atrelamento ao Ministério das Relações Exteriores: “Seria um incoerência criar um órgão que concorreria com o próprio ministério, criticou o pastor.
Já Ruy Martins, em artigo publicado no site Direto da Redação, condena os desmandos e supostos atos de irregularidades como uma maneira de descaracterizar o CRBE como órgão que de fato represente os brasileiros que moram fora do Brasil.

Em um dos parágrafos, Martins escreve: “O CRBE não tem verba para funcionar, o que já bastaria para demonstrar sua ineficácia, mas possui alguns membros mecenas. E tais mecenas financiam viagens de alguns membros e do presidente licenciado do CRBE. A intenção pode e imagino deve ser boa, mas constitui um perigoso desvio pela ascendência econômica que tais mecenas passam a ter sobre seus favorecidos. Se o Itamaraty não dá verba para o CRBE funcionar, não pode também permitir, por uma questão de imparcialidade, o custeio de viagens de membros do CRBE por membros ou terceiros.”

Projetos pessoais atrapalham

Num ponto, tanto Silair como Ruy Martins concordam: os projetos pessoais tomaram o lugar do interesse comum. O que sai na imprensa a respeito da entidade são apenas notícias envolvendo supostas compra de votos, conselheiros querendo viajar somente de classe executiva às custas do erário público, querendo ser indicados como cônsules honorários ou mesmo serem agraciados com passaportes diplomáticos.

Ou seja, são estas questões menores e completamente descabidas que acabam sendo veiculadas pela imprensa, desacreditando um projeto que, em sua essência, pode ser interessante. Mas, mesmo o fiel escudeiro do governo neste processo se diz desanimado: “Aquela matéria publicada na revista Época (onde constam uma série de denúncias) foi um balde de água fria. Serviu apenas para irritar o ministro Antonio Patriota e, com isto, sentimos um certo esvaziamento”, comentou Silair.

E o CRBE está no que se pode chamar de compasso de espera. Seu atual presidente, Carlos Shinoda, está licenciado. O Itamaraty designou um novo diplomata gestor, que mantém seu mutismo diante de tanto desentendimento, até que esteja a par de tudo que acontece na entidade. Silair lamentou que Otto Agripino Maia e Eduardo Gradilone, dois diplomatas que abraçaram o projeto, tenham saído chamuscados por causa desta rede de intrigas. Ambos, é claro, continuam suas carreiras, e Gradilone vai assumir a Embaixada do Brasil na Nova Zelândia.

Apesar de todas as dificuldades, Silair acredita ser possível salvar o CRBE, um importante instrumento do governo junto às comunidades e que pode servir como linha auxiliar dos consulados no sentido de ampliar o atendimento aos nossos compatriotas. Pensando nisto, ele iniciou um périplo pelos consulados brasileiros dos EUA e do Canadá. “Para mim, ter sido eleito para o CRBE foi importante para abrir um canal junto aos consulados. É um instrumento facilitador, não para meus projetos pessoais, mas sim para conseguir benefícios para a comunidade”.

Confome a programação oficial, haverá a IV Conferência Brasileiros no Mundo ainda este ano a data, porém, continua indefinida -, bem como a nova eleição dos membros do CRBE. A dúvida que fica é esta: será mesmo que o governo tem interesse em manter esta entidade ou optará simplesmente por sua extinção, uma vez que o objetivo era de que a recém-criada entidade pudesse servir como ponta de lança junto às comunidades locais? Com a palavra, os personagem no próximo ato do imbroglio.