Sociedade exige da Câmara “pacote moralizador”

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Seguidos escândalos desestabilizam credibilidade de deputados

O presidente da Câmara, Michel Temer, disse que algo precisa ser feito para preservar a credibilidade da Casa. Depois de inúmeras denúncias e escândalos que atingiram em cheio muitos deputados, inclusive ele próprio, Temer reuniu o colégio de líderes e os integrantes da mesa diretora para debater medidas que possam atenuar a pressão da opinião pública com relação ao mau uso de recursos públicos. Segundo ele, o “pacote moralizador” é um direito da sociedade, que viu os parlamentares envolvidos com utilização indevida de passagens aéreas e verbas indenizatórias.

O ponto central desse pacote se traduz em uma palavra: transparência. Os políticos terão que prestar contas de todos os serviços pagos pelos contribuintes, desde postagens até custos com combustível. A idéia é criar um site para divulgação na Internet de cada passagem, cada selo ou cada gasto feito pelos parlamentares. Não é preciso dizer que os tíquetes aéreos não poderão ser mais cedidos aos familiares de deputados. O mesmo deve acontecer em relação aos senadores.

Outro ponto diz respeito à criação de um ponto eletrônico, com cartão digital, para registrar a frequência dos servidores. Será alterado também o horário de funcionamento do plenário da Casa. Os trabalhos serão abertos ao meio-dia, ou seja, duas horas mais cedo. “Temos que conduzir esse processo. Não podemos ir à reboque da imprensa e da opinião pública. Já ficou claro que medidas pontuais não solucionam o problema. Tem que ser transparência total. Todos os gastos que forem feitos terão que ficar imediatamente disponíveis na internet”, afirma Michel Temer. No entanto, a disposição dos parlamentares não foi a esperada pela população: para compensar a perda de benesses, alguns pensam em sugerir um reajuste para os deputados de até 45% (de R$ 16,5 mil para R$ 24 mil).