Sonhos dos ‘Dreamers’ mais perto de se tornar realidade

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Estudantes indocumentados brasileiros vibram com a nova medida assinada pelo presidente Barack Obama

Joselina Reis

As novas medidas de imigração assinadas pelo presidente Barack Obama ainda nem entraram em vigor e os jovens brasileiros indocumentados já começam a sonhar com uma nova vida. Para muitos, a carteira de motorista e o direito ao número do seguro social significam a conquista de uma luta de muitos anos.

Felipe Matos, 26 anos, veio para os Estados Unidos quando tinha 14 anos. Ele será um dos beneficiados com as mudancas e já faz planos para o seu primeiro dia de documentado. Vou ser o primeiro na fila para tirar a carteira de motorista, adianta o brasileiro. Ele mora em Tampa, e lembra que a luta dos jovens indocumentados ainda está longe de acabar.

Ele só se deu conta de suas dificuldades nos Estados Unidos quando terminou o segundo grau e foi informado que não poderia ir à faculdade, mesmo sendo reconhecido como um dos melhores estudantes da Flórida. Indignado com a situação, ele e outros três amigos fizeram uma caminhada de Miami a Washington em 2010 tentando apoio da sociedade e de políticos para aprovação do Dream Act. Não era justo. Eu era um dos melhores alunos e não podia estudar, lembra. Na volta, Felipe ganhou uma bolsa de estudo.

Para Renata Teodoro, 24 anos, a luta foi solitária. Os pais retornaram ao Brasil e, aos dezenove anos, ela se viu sozinha nos Estados Unidos, contando apenas com ajuda de amigas. Não fui embora com eles porque ter uma vida melhor era o sonho da minha mãe, revela. Depois que o irmão foi deportado, a mãe se entregou ao Serviço de Imigração e levou a irmã caçula de volta ao Brasil.

A estudante, que mora em Boston, conseguiu estudar trabalhando com limpeza de casas e aulas particular de inglês. Ela também já planeja a festa para o primeiro dia de documentada. Quero viajar ao Brasil e ver minha família, sonha.

Assim como eles, muitos outros jovens estão bastante entusiasmados com a possibilidade de viver sem medo no país onde foram criados. Segundo as estimativas, esta medida deve beneficiar cerca de 1,4 milhão de jovens e crianças que se encontravam fora do status legal.
Além de ter direito aos documentos, aqueles que estão em vias de deportação terão seus processos revisados pelas autoridades imigratórias dos EUA.