Tensão aumenta na fronteira do México com os EUA

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Problema agora não está relacionado a imigrantes, mas à morte de chefe de cartel

Os mexicanos podem esperar mais violência nos próximos dias, especialmente na fronteira do País com os Estados Unidos. Isso porque a luta pelo controle das drogas vai se acirrar depois da morte de um dos mais procurados traficantes da região: Ezequiel Cárdenas, também conhecido como Tony Tormenta, chefe do Cartel do Golfo, foi morto na semana passada por fuzileiros navais mexicanos, numa efêmera vitória do governo do presidente Felipe Calderón contra as quadrilhas que disputam as rotas de envio de drogas para a América.

O fato deve tornar a vida dos moradores dos estados que fazem divisa com o Texas e com o Arizona. “Estamos com muito medo do que está por vir. Essa morte só vai piorar as coisas”, disse um funcionário de um estabelecimento na cidade de Matamoros. Nos últimos dias a polícia recebeu denúncias de bloqueios em estradas e tiroteios, também em Reynosa e Monterrey. Nestas localidades, a população evitou sair de casa e até escolas e o comércio foram fechados. “Há uma psicose coletiva desde a morte de Tormenta”, disse Antonio Garza, chefe de polícia de Tamaulipas.

Aproveitando a situação, os Zetas, rivais do Cartel do Golfo e que supostamente orquestraram o massacre a imigrantes em julho deste ano, já começaram a se organizar para recuperar o controle do tráfico na região. Desde o final de 2006, quando Calderón tomou posse e mobilizou as Forças Armadas contra o comércio de drogas, mais de 31 mil pessoas já foram mortas em incidentes ligados ao narcotráfico no México. Tormenta foi o quarto grande traficante a ser morto ou capturado desde dezembro do ano passado.