Tribunal dos EUA condena imigrante por mutilação genital feminina

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A circuncisão feminina é uma prática tradicional em algumas comunidades africanas

Um tribunal no Estado americano da Geórgia condenou um imigrante etíope a 10 anos de prisão pela mutilação genital de sua filha de dois anos de idade. Esse é o primeiro caso do tipo nos Estados Unidos.
Khalid Adem, que removeu o clitóris da filha com uma tesoura em 2001, foi condenado por agressão e crueldade. Ele negou a acusação, dizendo que não aprovava a prática.

A ativista dos direitos da mulher Taina Bien-Aime, do grupo Equality Now, afirmou que a decisão é uma vitória contra a mutilação genital feminina. A prática é comum em comunidades tradicionais africanas, onde é considerada um meio de preservar a honra feminina.

Adem, de 30 anos, chorou ao receber a sentença.

Em um testemunho gravado em vídeo, a menina, que tem hoje sete anos de idade, afirmou que seu pai havia lhe “cortado nas partes íntimas”.

A mãe da menina, Fortunate Adem, disse que só descobriu a mutilação dois anos depois.

“Foi uma violação de seus direitos como criança, como mulher e, principalmente, como ser humano. Ela nunca será a mesma”, afirmou a mãe no tribunal, segundo uma gravação divulgada pela emissora local de rádio WSB.

Segundo o grupo Equality Now, esse é o primeiro caso documentado de mutilação genital feminina nos EUA.

Um relatório recente da Organização Mundial da Saúde condena a prática, afirmando que causa infecção, “dor estarrecedora” e ferimentos graves de longo prazo.