Triste recorde

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Antonio Tozzi

Já não bastasse estarmos “bem” colocados nos rankings de corrupção, prostituição, pornografia infantil, assaltos, homicídios e outros, eis que surge a divulgação de que o Brasil lidera o ranking de assassinatos de homossexuais e transexuais no mundo. É, na verdade, um triste recorde a demonstrar que a intolerância impera nos quatro cantos do país.

Segundo estatística divulgada pela ONG International Transgender Europe, entre janeiro de 2008 e abril de 2012, foram registradas 486 mortes, quatro vezes mais do que no México, o segundo colocado.

Antes de mais nada, vale a pena fazer uma consideração. O Brasil pelo menos preocupa-se em informar as fatalidades ao contrário de países como Sudão, Rússia, Cuba, Irã e outras nações islâmicas que preferem fingir que não há homossexuais vivendo dentro de suas fronteiras.

Feita a ressalva, não há como deixar de se indignar com estes números. No final do mês de janeiro, foram capturados os irmãos Damascena no Amazonas que assassinaram 10 homossexuais. Ou seja os irmãos amazonenses de 18 e 19 anos de idade são serial killers de pessoas que possuem outra orientação sexual. Chega a ser revoltante. Matar alguém pelo simples fato de estas pessoas terem uma preferência sexual que foge ao padrão comum. O pior é que muita gente, de maneira tácita, acaba aceitando estes crimes com a justificativa de que “foi eles quem procuraram por isto”.

Claro que em muitos casos a falta de seletividade de parceiros termina por colocar o homossexual, o travesti ou o transexual nas mãos de seus algozes. Entretanto, o que estes criminosos pretendem ao abordar alguém que, em sua mente, não passa de um transviado, uma pessoa que denigre a sociedade humana?

Não sou psicólogo, mas já li que aqueles que batem ou matam homossexuais são, na verdade, homossexuais enrustidos que não conseguem assumir sua condição e, portanto, transformam-se em justiceiros ao matar aqueles que, ao contrário deles, não têm nenhum tipo de problema em assumir sua orientação sexual.

E o mesmo ocorre em relação às lésbicas. No filme “Boys Don’t Cry“, que deu o Oscar a Hilary Swank, ela interpreta uma lésbica do interior dos Estados Unidos que acaba conquistando a garota mais bonita da turma e junta-se ao grupo de rapazes bebendo e jogando bilhar para mostrar sua virilidade.

Como toda mentira tem perna curta, chegou o momento em que a namorada descobriu que seu “namorado” era, na verdade, outra mulher. Ao contar para os demais do grupo, a lésbica acabou sendo estuprada pelos rapazes e espancada até a morte, no filme que retratou um caso real ocorrido aqui.

Também no Texas, nos EUA, um rapaz de origem mexicana vestia-se como mulher, uma vez que no íntimo tinha uma personalidade feminina. Ao se envolver com alguns homens, sempre dava desculpas de que estava “naqueles dias” e oferecia outras formas de prazer sexual. A namorada de um deles, porém, descobriu a mentira e o rapaz acabou sendo assassinado por aqueles a quem havia prestado favores sexuais. Isto antes de conseguir juntar dinheiro e submeter-se à operação de mudança de sexo, como fizeram Lea T, hoje modelo, e o ex-delegado de polícia de Goiás, Thiago de Castro Teixeira, que acabou virando Laura de Castro Teixeira.

Recentemente, um comentarista gaúcho criticou a novela de Walcyr Carrasco, “Amor à Vida”, por enaltecer em demasia os gays, em sua opinião. O homem foi execrado pelos defensores dos direitos das minorias e ovacionado por aqueles que condenam esta prática, sobretudo por ter se referido ao homossexualismo como uma doença, algo que já foi retirado dos textos jurídicos e é reprovado pelas associações de psicologia e psiquiatria.

Como se vê, o problema é mais amplo do que parece e acaba até mesmo separando famílias. Hoje, os pais são mais tolerantes diante das opções sexuais dos filhos, mas ainda há casos em que eles são postos para fora de casa, principalmente nas cidades menores. Não é à toa que as capitais e cidades grandes abrigam números maiores de homossexuais, uma vez que nestes locais a tolerância é maior e o anonimato garante a paz para que o indivíduo possa assumir sua sexualidade com menor grau de patrulhamento.

Recentemente, uma das filhas do ex-vice-presidente americano, Dick Cheney, desistiu de sua candidatura ao Senado pela cadeira do estado de Wyoming. Liz Cheney, como republicana convicta, condenou o homossexualismo. Foi o que bastou para atrair a ira de sua irmã Mary, lésbica assumida e ironicamente filiada também ao Partido Republicano.

Isto, aliás, é sintomático. Os conservadores e religiosos tendem a condenar a prática do homossexualismo, inclusive nos livros santos do Torá, da Bíblia e do Corão, mas nada podem fazer quando algum membro de sua família revela ser homossexual. Aí de nada vale a ironia: “Deus fez Adão e Eva e não Adão e Ivo”.