Tudo pronto para nova passeata pela reforma imigratória em Los Angeles, Califórnia

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Organizadores convidaram Obama, mas a Casa Branca não respondeu aos convites

Trinta grupos e organizações que defendem os direitos dos imigrantes estão prontos para fazer uma passeata neste sábado (22) em Los Angeles, Califórnia, para pedir novamente aos republicanos da Câmara dos Deputados que aprovem a reforma imigratória, e ao governo que pare as deportações.

A passeata sai no sábado na esquina da Olimpic Boulevard com Broward Avenue, no centro de Los Angeles ao meio-dia. Terminará na prefeitura com vários discursos.

“Estamos otimistas apesar de todos os esforços para nos silenciar em meio a esta crise na qual se encontra a reforma imigratória”, disse à UnivisionNoticias.com Juan José Gutiérrez, presidente do Movimento Latino USA. “Haverá uma participação significativa. Não podemos dizer quantos vão estar presentes. Não vamos nos render”.

O ativista acrescentou: “Tomara que os dirigentes políticos em Washington reconsiderem, e que por mais que tratem de nos convencer de que tudo está perdido, nós não estamos de acordo com esta política”.

O cenário

O debate da reforma imigratória parou no final de junho depois de o Senado aprovar um plano amplo que inclui um caminho à cidadania para milhões de indocumentados.

A liderança republicana advertiu que debateria uma iniciativa própria e por partes. Sete meses depois, no final de janeiro, entregou uma lista de princípios da reforma que inclui uma dura via de legalização, mas o documento não menciona datas para levar uma votação ao plenário da Câmara.

Uma semana depois o presidente do Congresso, John Boehner (R-Ohio), disse ter dúvidas de um debate no decorrer de 2014, postura respaldada por outros dirigentes republicanos das duas câmaras legislativas.

Obama não respondeu

“É urgente que se faça algo”, disse Gutiérrez. E comentou que centenas de convites enviados à Casa Branca para o presidente Barack Obama se unir à passeata não foram respondidos.

Gutiérrez destacou que enquanto o governo “com uma mão nos faz carinho e nos oferece uma solução, com a outra nos bate com o pau na cabeça com as deportações”.

“Nós queremos que cumpra o que disse sobre o Estado da União, onde anunciou que em todas aquelas circunstâncias onde os republicanos se recusem a encontrar soluções nacionais, ele vai atuar em benefício dos intereses da nação”, indicou.

“É falso que Obama não pode arrumar o problema com ações executivas. Tem poder para fazer isto, como ampliar o DACA dos dreamers ou o TPS, por exemplo. É correto quando ele diz que não pode mudar a lei, mas pode tomar decisões que beneficiem a população e aliviem o sofrimento dos trabalhadores indocumentados”, acrescentou.

Parem as deportações

Francisco Moreno, do Conselho de Federações Mexicanas (COFEM), disse que era urgente o governo deter as deportações enquanto o Congresso atua.

“Queremos a supensão das deportações imediatamente. Mas o presidente Obama não toma atitude”, queixou-se.

Durante a primeira administração de Obama (2009-2012) o Gabinete de Imigração e Alfândega (ICE) deportou quase 400 mil indocumentados por ano, uma média de 1,220 por dia. O governo assegura que 60% deles possuíam antecedentes criminais, mas as organizações reiteram que entre seis e sete de cada 10 expulsos não tinham antecedentes que pusessem em risco a segurança nacional dos Estados Unidos.

Sobre as possibilidades de este ano ser aprovado um plano, Moreno disse que “2014 é importante” e se não for submetido à votação um plano na Câmara “tudo ficará adiado para depois de 2017”.

“Não vamos nos dar por vencido. Não aceitamos não como resposta. Exigimos um direito que merecemos há muito tempo”, enfatizou.

Culpas compartilhadas

Sobre os responsáveis pela suspensão do debate, o ativista disse que “há vários. Em seu momento foram os democratas, que poderiam tê-lo feito no primeiro mandato de Obama, mas não gastaram capital político, deixaram para depois e perderam”.

Sobre a responsabilidade dos republicanos, Moreno disse que “não têm 100 por cento da culpa, mas têm grande parte. E os democratas não atuaram decisivamente. Os imigrantes são um brinquedo político dos dois partidos e estamos cansados disto”.

Apesar do cenário difícil, os ativistas não se rendem. Estão preocupados, mas não vacilam em seu esforço.

“Neste ambiente tão turvo registrado entre o discurso do presidente sobre o Estado da União e a lista de princípios da reforma imigratória dos republicanos, o ânimo não cai, está firme”, disse Gloria Saucedo, diretora de relações públicas da Federação de Guerrerenses no sul da Califórnia. “Não vamos ficar de braços cruzados enquanto na imprensa saem vozes desanimando os imigrantes. Irmos às ruas é uma maneira de resistência”.

Saucedo disse que “a esperança não acabou. Estamos batalhando até as últimas consequências. Continuaremos enviando cartas ao Congresso e ao presidente, ligando para os parlamentares, fazendo passeatas. Não vamos ficar em casa. Estaremos aqui até o final”.
Ela advertiu ainda que se não for aprovada uma reforma imigratória abrangente no decorrer deste ano, “vamos usar o voto como uma ferramenta de prêmio ou castigo em novembro. Diremos a todos que podem votar que levem em conta isto antes de dar seu voto. Nós vamos nos manifestar através das urnas na primeira terça-feira de novembro. A luta continua”, concluiu.