Um negócio arriscado

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Empresas do setor procuram minimizar problemas de extravios e violações nas remessas

Remessa de bens é sempre uma caixinha de surpresas. O trocadilho foi inevitável, mas as companhias do setor estão se desdobrando para evitar ou pelo menos reduzir as desagradáveis surpresas causadas pela perda, atraso ou violação das caixas mandadas para o Brasil. Para tanto, as empresas que atendem à comunidade estão investindo em qualificação dos funcionários, modernização da frota e, principalmente, agilização da logística. Mesmo assim, os problemas se repetem e estima-se que pelo menos 1% dos volumes enviados não chega ao destino desejado.

Isso aconteceu, por exemplo, com o trabalhador da construção civil Roberto Carlos Pavione, de Pompano Beach, que mandou roupas, fotografias e outros objetos pessoais para parentes em Vitória, no Espírito Santo. Infelizmente, a caixa ficou pelo caminho – ninguém sabe onde – e a paciência também: “Em primeiro lugar, a companhia não me avisou do extravio e, depois de seis meses, recebi um comunicado dizendo que teria direito só a 50 dólares de ressarcimento. Isso é um absurdo, pois só de remessa paguei três vezes mais”, reclamou Pavione.

Ele admitiu, porém, que no documento em que precisou discriminar os produtos enviados havia uma referência em relação a perdas, limitando o reembolso por parte da seguradora em 10% do valor declarado, que no caso foi de 500 dólares, para o caso de o cliente não ter nota fiscal dos bens. A justificativa, porém, não convenceu. “Foram mandados produtos de uso pessoal e não costumo manter nota fiscal de roupas compradas há vários meses”, tentou argumentar o brasileiro.

Caixa violada

Da mesma forma, a mineira Dalva Anunciação contatou uma empresa de courier para enviar alguns de seus pertences para Governador Valadares e ficou insatisfeita com o serviço prestado. “Faltou alguém me falar que não seria aconselhável colocar produtos eletrônicos. O resultado foi que perdi quase mil dólares, pois a caixa foi violada”, explicou Dalva, de Deerfield Beach. Segundo ela, como a maioria dos brasileiros não costuma buscar seus direitos na justiça americana, as companhias não se preocupam em melhorar o atendimento à comunidade.

Esta, porém, não é a opinião do setor. O diretor comercial da Brasil Courier, Thiago Bayde, esclarece que a empresa mantém o foco em atender bem à clientela, em todas as cinco filiais, seis lojas e mais de 200 agentes do grupo espalhados pelos Estados Unidos: “A comunidade brasileira é nossa prioridade e, para isso, estamos em constante busca pelo aperfeiçoamento e pela qualidade. Temos o maior interesse em fazer com que a experiência dos clientes seja sempre a melhor possível”.

Entre as providências tomadas nos últimos tempos está o intenso treinamento dos funcionários para que todos as informações possam chegar de forma correta aos clientes. “O importante é não oferecer falsas expectativas ao consumidor. Não dá para prometer que a remessa chegará num prazo inferior a 45 dias, porque isso é impossível, dada a burocracia no desembaraço alfandegário e complicações de transporte. Além disso, é fundamental que o contratante do serviço conheça bem suas responsabilidades e direitos, bem como as normas de segurança que regem o setor”, esclarece Bayde.

Empresas despachantes são problema no Brasil

Luciano Campos, da Alexim Moving, sabe bem dos problemas relacionados ao transporte. Uma das transportadoras parceiras no Brasil começou a agir de forma suspeita e, intencionalmente, atrasou e extraviou vários volumes. “Entramos com um processo na justiça e tivemos ganho de causa contra esta transportadora, mas não conseguimos recuperar todas as cargas violadas. Sabemos do descontentamento dos clientes, especialmente aqueles que não optaram pelo seguro em seus envios, e estamos tentando, de todas as formas legais, minimizar este desgaste”, reafirma Luciano, lembrando que a empresa tem estudado junto à clientela outras opções de ressarcimento, como o crédito em futuras remessas.

Ele ressalta que o acontecido acabou motivando a diretoria da Alexim Moving a abrir sua própria transportadora no Brasil. “Isso começou a surtir bons efeitos, como entregas em prazos satisfatórios e cuidados especiais”, descreve. Luciano sabe que o business é de risco e sujeito a intempéries, mas considera que é justamente neste momento que as empresas têm a oportunidade de demonstrar sua estrutura, clareza nas informações e postura idônea.

Um outro profissional do mercado, que preferiu não se identificar, atesta que uma pesquisa conduzida na Fedex, a maior empresa de courier do mundo, demonstrou que o índice de perdas e extravios era próximo de 1%. “Trata-se de um universo muito pequeno diante do montante, que se aproxima das estatísticas nas companhias brasileiras que operam na América. Mas temos que entender que são pessoas que trabalham duro e não querem ver seu dinheiro ganho de forma suada escorrer pelas mãos. Por isso tentamos diariamente tornar esse número o mais próximo de zero”, explicou a fonte, calculando que no total os imigrantes brasileiros costumam mandar cerca de 12 mil volumes por mês, somadas as remessas em todas as empresas do ramo.

CUIDADOS NA HORA DA REMESSA

– não envie itens proibidos e mercadorias perigosas, como inflamáveis ou de alta combustão;
– busque sempre informações sobre o seguro dos bens;
– descreva no documento as especificações dos conteúdos que estão sendo enviados, se possível guardando a nota fiscal dos produtos;
– busque o serviço de empresas idôneas e sempre leia os contratos para saber dos seus direitos e responsabilidades

Por Carlos Wesley – AcheiUSA Newspaper