Um país de contrastes

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Brasil é o terceiro do mundo com maior crescimento de milionários, mas desigualdade ainda persiste

Poucas semanas depois de divulgado um estudo mostrando que 7,5 milhões de brasileiros ainda têm renda domiciliar inferior a um dólar por dia, o país é surpreendido com o resultado de uma nova pesquisa: de acordo com o 12º Relatório Anual sobre a Riqueza Mundial, realizado pela Merrill Lynch e CapGemini, o Brasil foi o terceiro país do mundo que registrou o maior crescimento do número de pessoas que possuem patrimônio de pelo menos 1 milhão de dólares. Isso significa que o número de pessoas que possuem grandes fortunas subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil em 2007, uma expansão de 19,16%.
O Brasil possui ainda 18 nomes na mais recente lista dos bilionários publicada pela Revista Forbes: Antonio Ermirio de Moraes, Eike Batista e Joseph Safra encabeçam este ranking e, juntos, possuem mais de 25 bilhões de dólares, o equivalente a 2% do PIB brasileiro. “Os fluxos líquidos de capital privado duplicaram para a América Latina em 2007, contribuindo para o fato de a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ter alcançado a quarta posição entre os maiores mercados mundiais para operações de abertura de capital”, explica um especialista da Merrill Lynch no relatório.
O estudo destaca ainda que o desenvolvimento de obras em infra-estrutura e incentivos do governo brasileiro para o setor de construção civil, como a queda de impostos sobre materiais de construção, geraram um “boom” do segmento no país. Além disso, a redução do desemprego e a valorização do câmbio, que reduziu os custos de importações de máquinas e bens de consumo, ajudaram a colocar o Brasil na atual situação. Os juros elevados também foram um fator atraente para o aumento dos investimentos, especialmente em aplicações de renda fixa.
Por outro lado, o país amarga a 23ª posição no ranking de Pobreza Humana e a 70ª no IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, que avalia questões como qualidade de vida, acesso a alfabetização e água tratada, por exemplo. O Brasil está atrás de seus vizinhos na América Latina, como Uruguai, Chile, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Venezuela, ficando à frente apenas da Bolívia e do Peru.