Histórico

Uma semana após massacre, alunos retornam a campus na Virgínia

Alunos do Instituto Politécnico da Virgínia começam nesta segunda-feira a retomar suas atividades e a voltar às aulas, uma semana após o massacre que matou 32 no campus.

A universidade não soube informar quantos estudantes devem retornar ao campus hoje.

Na segunda-feira passada (16), o sul-coreano Cho Seung-hui, 23, que era aluno do último ano de Letras, efetuou ataques a tiros contra dois prédios da universidade.

As ações, que ocorreram em lados opostos do campus, tiveram início às 7h15 (8h15 de Brasília) em West Ambler Johnston Hall, residência estudantil que abriga ao menos 895 pessoas. Duas pessoas morreram. Duas horas depois, Norris Hall, edifício da engenharia, foi alvo de outro ataque a tiros. Outras 30 pessoas morreram, na maioria estudantes.

Cho, que se suicidou em seguida, usou duas armas –uma pistola Glock 9 milímetros e outra arma calibre 22 no massacre. A polícia também encontrou facas com o estudante.

Shannon Stapleton/Reuters

Bandeiras e flores são deixadas em campus em memorial em homenagem a vítimas

Apesar de terem a opção de permanecerem em casa até o final do semestre, muitos estudantes preferiram retornar à universidade para reunirem-se com os colegas.

“Eu quis voltar nesta semana, mesmo que não precise fazer as provas, apenas para me solidarizar com meus colegas”, disse neste domingo a aluna Brittany Gambardella à agência de notícias Associated Press.

“Eu retornei para estar ao lado de outros estudantes. Se eu ficasse em casa, pensaria o tempo todo no que ocorreu”, afirmou outra aluna, Ryanne Floyd, à Associated. Press.

Estudantes e funcionários da universidades deveriam se reunir às 7h15 (8h15 de Brasília) desta segunda-feira perto do dormitório onde as duas primeiras vítimas –Ryan Clark e Emily Hilscher– foram assassinadas por Cho.

Às 9h45 –horário do segundo ataque– alunos, professores e funcionários farão um minuto de silêncio. O sino do principal prédio da administração do campus irá soar 32 vezes em homenagem aos mortos no massacre. Também serão soltos 32 balões do centro do campus.

Desculpas

Familiares de Cho divulgaram na sexta-feira (20) um pedido de desculpas, dizendo que “não poderiam imaginar que ele seria capaz de tanta violência”, segundo um comunicado transmitido por seu advogado.

De acordo com a declaração, a irmã do atirador, Cho Sun-kyung, disse que a família se sente “desesperançada, impotente e perdida”, em seu primeiro comentário sobre o massacre.

“Em nome de nossa família, lamentamos profundamente a devastação que meu irmão causou”, disse Cho Sun-kyung, que é contratada do Departamento de Estado dos EUA.

Após enumerar os nomes dos 32 mortos, os parentes dizem que “rezam pelas famílias `das vítimas` e por seus entes queridos, que estão sofrendo uma dor insuportável”.

“E rezamos pelos que estão feridos, por aqueles cujas vidas mudaram para sempre pelo que viram e experimentaram”, acrescenta a nota.

“Cada uma dessas pessoas tinha muito amor, talento e dons para oferecer, e suas vidas foram ceifadas prematuramente por um ato horrível e insensível”.

Comportamento violento

Segundo o jornal “Chicago Tribune”, Cho dava sinais de comportamento violento e fora do normal, tendo inclusive ateado fogo a um dormitório e assediado estudantes da universidade.

Reuters

O atirador Cho Seung-hui, 23, estudava inglês na Virginia Tech
De acordo com Carolyn Rude, chefe do Departamento de Inglês, seu comportamento causava apreensão entre professores. “Havia preocupação a respeito dele”, disse ela.

Stephanie Derry, uma estudante que cursava teatro com ele, não se lembra de tê-lo ouvido pronunciar uma única palavra. Ela recorda, porém, suas peças de teatro “mórbidas e caricaturais”, segundo relatou ao jornal da universidade.

Uma de suas peças contava a história de “um filho que odiava o padrasto”, contou a estudante. “Na peça, o filho dava marteladas e atirava uma serra elétrica no padrasto, mas acabava matando-o sufocado com uma barra de cereais”, relatou.

Lucinda Roy, ex-decano do departamento de inglês, contou à CNN o que sentiu ao se deparar com outros textos do assassino. Ela chegou a alertar a reitoria da universidade em 2005, e até ministrou aulas particulares ao jovem.

“Profundamente preocupada”, ela recomendou a Cho Seung-hui que consultasse um psicólogo, e acreditava que ele havia seguido seu conselho.

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