Universidades abrem possibilidade para imigrantes

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Conselho com cinco mil instituições quer mensalidades mais baratas para indocumentados

Em meio aos debates sobre imigração, algumas universidades americanas acenam com uma boa notícia para os indocumentados: as instituições de ensino estão pressionando parlamentares no Congresso a aprovarem uma lei que permita aos imigrantes, mesmo aqueles em situação irregular, cursarem o nível superior pagando a mesma mensalidade de residentes ou cidadãos. Atualmente, nove estados já garantem este benefício aos imigrantes – Califórnia, Illinois, Kansas, Nebraska, Novo México, New York, Texas, Utah e Washington. Além disso, o senado estadual de New Jersey já está analisando a questão.

“Estamos certos que este é um passo importante para abrir oportunidades na economia”, justificou Thomas W. Rudin, vice-presidente do conselho diretor da associação que reúne mais de cinco mil universidades públicas em todo o país, em seu primeiro comentário sobre o assunto. Ele admitiu que o momento do debate não é propício, pois muitos opositores à idéia da reforma reclamam que a medida pode reduzir ainda mais os empregos para os americanos, mas “esse é o caminho”.

Rudin vê um contra-senso no fato de que imigrantes são autorizados a frequentar o ensino público nos níveis fundamental e médio nos Estados Unidos, mas acabam impedidos de aplicar para o ensino superior, mesmo que muitos deles tenham se destacado na vida escolar. O senador Robert Menendez (democrata de New Jersey) concorda: “É simples: devemos punir os filhos pelos erros cometidos pelos pais? Eu acho que não”, argumenta.

Ele se refere ao projeto de lei conhecido como ‘Dream Act’, no qual estudantes que chegaram aos Estados Unidos antes dos 15 anos de idade e viveram aqui por pelo menos cinco anos poderiam aplicar para um visto especial depois da high school, com direito à possibilidade de legalização ao fim da universidade. A matéria foi introduzida para debate em 2001 no Congresso e volta com força agora, depois que o presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou o desejo de promover mudanças na lei de imigração ainda este ano. Mas é claro que há uma forte oposição ao tema. “Pelo visto teremos uma anistia em massa neste outono”, alfinetou Bob Dane, porta-voz da ‘Federation for American Immigration Reform’, entidade que quer restringir a imigração.

Caso a idéia da chamada “in-state-tuition” seja aprovada, pelo menos 360 mil imigrantes poderiam se beneficiar da medida. Outros 715 mil estrangeiros, com idades entre 5 e 17 anos, também receberiam a motivação necessária para finalizar os estudos e ingressar no ensino superior nos próximos anos. Atualmente, menos de 10% dos indocumentados que terminam o Ensino Médio (High School) vão para a universidade. Pelo menos quatro estados – Geórgia, Oklahoma, Colorado e Arizona – têm leis específicas que proíbem imigrantes de aplicarem para mensalidades no mesmo valor que residentes.