Vamos falar português?

0
494

Por: Beatriz Cariello

Queridos leitores,

A partir desta edição, a Fundação Vamos Falar Português estará participando do AcheiUSA com artigos sobre ensino e aquisição da língua portuguesa, dicas de como estimular o uso do português em casa, sugestões de atividades, websites, livros, jogos, além de tratar da importância do português no mundo de hoje. Esta coluna será dedicada a vocês, portanto sua participação é muito importante. Escrevam para nós, digam sobre o que vocês gostariam de ler. Seus comentários e sugestões são muito bem-vindos.

A realidade que nós, membros da Fundação Vamos Falar Português, vivemos é muito semelhante a de vocês. Somos uma ampla comunidade de expatriados, cujos filhos estão sendo expostos a uma língua e cultura que não são as nossas e educados com valores e modelos que não são típicos do Brasil. Independente do país que nos hospeda, e são vários, existe um desejo em comum a todos os brasileiros: preservar nos filhos a língua e a cultura dos pais.

O desejo existe e é grande, mas o que fazer para manter e em muitos casos recuperar a língua e a cultura nacionais do Brasil? Felizmente temos observado o crescimento de organizações sem fins lucrativos – como é o caso da Fundação Vamos Falar Português- de instituições e grupos de pais que promovem aulas de português para crianças e jovens.

Na maioria das vezes não são aulas formais, mas encontros cujo objetivo principal é manter viva a nossa cultura e também promover experiências reais de uso da língua. Geralmente são encontros que acontecem uma vez por semana, com duração entre uma e quatro horas. Muito pouco se compararmos aos momentos em que nossos filhos estão expostos ao inglês, espanhol ou à língua do país que acolheu os expatriados.

O que, então, pode ser feito pelas famílias, em casa, para ampliar o número de horas de exposição ao português? Primeiro, falar em português. É normal que a criança se recuse a falar e prefira a língua da escola. É também muito comum os pais falarem em português e a criança responder na língua que aprende na escola. Mas não deixe de falar em português. Tente não misturar as línguas. Sabemos que existem infiltrações (interferências) de vocabulário e estrutura de uma língua na outra, mas faça um esforço para evitá-las.

Conte histórias, leia para seus filhos, fale de sua infância, das brincadeiras, da família, dos amigos. Ensine travalínguas em português ( O rato roeu a roupa do rei de Roma, por exemplo) e aproveite para aprender alguns em inglês. Seus filhos vão adorar a brincadeira e mais ainda vão adorar ensinar a vocês algo que eles dominam tão bem. Façam juntos a lista do supermercado e vão às compras. Passeiem pelas seções e procurem os produtos da lista, conversando em português. Onde fica o açúcar?Na seção 4, que é a de ingredientes para fazer bolos. Está ao lado da farinha de trigo. Está na segunda prateleira.

Peça às crianças para ajudarem a colocar a mesa do jantar. É uma ótima oportunidade para nomear objetos de uso diário. Acrescente localização, cores, formas. A faca fica do lado direito do prato. Ponha os copos verdes de vidro ou os brancos de plástico. Dobre os guardanapos em forma de triângulo e ponha do lado esquerdo do prato.

Para nossos filhos adolescentes, nada melhor do que dizer acesse a internet, use o computador, o IPOD, o IPAD. Clips do You Tube e páginas em português (claro que filtrados pelo bom senso dos pais) são excelentes recursos para aquisição e estudo da língua. A tecnologia dá aos jovens oportunidades para uma escolha direcionada à área de interesse e proporciona vasto material de uso real da língua por nativos de diferentes regiões do país.

Seja persistente, não desista! O envolvimento dos pais é imprescindível para que essas crianças e jovens falem, leiam, escrevam em português e transitem com maestria entre as várias línguas que fazem parte do seu dia-a-dia. O resultado desse esforço será famílias orgulhosas em poderem preservar sua identidade e história e acima de tudo filhos confiantes e competentes em diferentes línguas.