Visita de Bush esquenta debate latino sobre socialismo, diz “Times”

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A visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à América Latina pode ser interpretada como “um confronto entre o capitalismo aberto defendido por Bush e a visão socialista promovida pelos líderes esquerdistas, que cresceram em poder e popularidade”, afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal “The New York Times”.

O jornal observa que, apesar das tentativas do governo americano de negar que a visita tenha como objetivo conter a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o roteiro parece “pelo menos em parte” organizado para isso.

A reportagem relata os comentários do presidente americano contra o “modelo alternativo de desenvolvimento” pregado por Chávez e sua defesa de “mercados abertos e governos abertos” na América Latina, mas diz que “mesmo os anfitriões brasileiros de Bush parecem divididos sobre sua mensagem”.

“Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar se encontrando com Bush nesta sexta-feira para assinar um acordo sobre o etanol e ter previsto uma visita a ele em Camp David no dia 31 de março, o esquerdista Partido dos Trabalhadores que ele lidera escolheu apoiar e participar das manifestações anti-Bush”, afirma o jornal.

“Multidão furiosa”

As manifestações contra Bush são tema de destaque da principal reportagem do Washington Post sobre a visita, intitulada “Multidão furiosa marcha contra o presidente no Brasil”.

Para o jornal, as manifestações da quinta-feira em São Paulo e a dura resposta policial são “o presságio de uma visita potencialmente volátil para o presidente”.

O jornal argentino “La Nación” também comenta as manifestações, dizendo que “os 30 graus de temperatura que fazia pouco depois do meio-dia em São Paulo pareciam mais entre os milhares de pessoas que se concentraram na central avenida Paulista”.

“Inicialmente convocada para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a mobilização logo se converteu no principal foco de protestos contra Bush nesta cidade”, diz o texto do correspondente do diário.

A reportagem observa, porém, que “a uns dez quilômetros dali, o hotel reservado para a estadia de Bush parecia um quartel militar”. “Dois caminhões do Exército bloqueavam a entrada e dezenas de soldados patrulhavam os arredores. A custódia presidencial conta com mísseis portáteis, apoio de helicópteros e armamento mais leve, como metralhadoras e pistolas”, diz o jornal.