Warren Buffett prevê economia difícil

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Ao contrário do discurso otimista de Ben Bernanke e outros investidores, o “Oráculo de Omaha” alerta que o pior ainda está por vir

Warren Buffett está cético em relação ao panorama róseo pintado por Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), e outros investidores que projetam uma melhora sensível da economia num futuro breve. Na verdade, o investidor bilionário acredita que o quadro econômico ainda ficará mais tenebroso antes que as coisas melhorem.
“Tudo que tenho visto na economia é que não tem havido reação”, analisou Buffett. “Ocorreram vários excessos e o processo ainda está subjacente, e a meu ver proseguirá assim por algum tempo. No relatório anual, disse que a economia está em frangalhos este ano e provavelmente seguirá assim.”
O desemprego, disse Buffett, continuará a arrastar a economia para baixo. Ele comentou que o desemprego “provavelmente ficará acima dos 10%”. Mais de 9% da população – cerca de 14,5 milhões de pessoas — estava desempregada em maio, o mais recente mês com estatísticas disponíveis. O alto desemprego continuará a prejudicar a demanda para todas as coisas, de energia a carros e casas, comentou Buffett.
O próprio Buffett não tem sido poupado pelo mau momento econômico. Sua companhia, a Berkshire Hathaway (BRK.A), divulgou sua primeira perda este ano desde 2001.
Antes de as coisas melhorarem para os investidorrs, Buffett crê que o governo terá de tomar as medidas necessárias para reduzir o desemprego. “Parece que precisamos de mais remédios, e não de menos”, ele disse, acrescentando que o país pode necessitar de um segundo pacote de estímulo para sair desta espiral: “A recuperação realmente não está acontecendo.”
Buffett advertiu que alguns “remédios”, embora necessários, podem conter efeitos colaterais adversos. A inflação, segundo ele, pode tornar-se um grande problema. Mas, isto provavelmente impulsionará os investidores a comprar ações, pois a subida dos preços corroerá o valor do dinheiro. “Temos feito coisas que aumentam a probabilidade de taxas de inflação mais altas,” finalizou.